Dermatologia Pediátrica

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Dermatologia Pediátrica

A Dermatologia Pediátrica é uma parte da Dermatologia dedicada ao estudo e tratamento das alterações e doenças da pele que ocorrem no período neonatal, infância e adolescência. Algumas doenças da pele ocorrem mais frequentemente ou exclusivamente nesses períodos. A pele da criança tem estrutura e funções diferentes da pele do adulto, necessitando estudos específicos e tratamentos diferenciados.

dermatoses neonatais transitoriasSão lesões de pele que ocorrem nas primeiras semanas de vida, decorrentes da imaturidade e da fragilidade na pele neste período. As principais são o eritema tóxico neonatal, melanose pustulosa transitória neonatal, miliária (brotoeja), dermatite seborreica, dermatite atópica e dermatite da área das fraldas, entre outras.

Felizmente a incidência destas patologias reduziu significativamente devido a ampliação do acesso ao pré-natal. Nessas doenças há grave comprometimento sistêmico, com lesões cutâneas características e sugestivas. As principais são a Sífilis Congênita, Rubéola, Herpes e Toxoplasmose.

molusco contagiosoO molusco contagioso é uma doença viral que provoca lesões na pele semelhante a pequenas bolinhas translúcidas. A transmissão da doença se dá pelo contato direto com pessoas contaminadas.

Atinge preferencialmente as crianças, devido à imunidade ainda não estar totalmente desenvolvida, e a grande prevalência em creches e em escolas. É frequente o achado da doença em crianças com dermatite atópica.

O tratamento consiste na remoção das lesões. Existem várias modalidades para tratamento, a escolha deve ser considerara em cada caso. Como a lesão não traz riscos à saúde e o esperado é que ao longo do tempo as lesões regridam espontaneamente, pode-se em alguns casos optar por não tratar.

hemangiomaO hemangioma infantil ou hemangioma do lactente é o tumor benigno, de partes moles, mais comum da infância, atingindo 1 a 2% dos recém-nascidos e 10 a 12% das crianças até o primeiro ano de vida. Na história natural, os hemangiomas apresentam um período de crescimento (fase proliferativa), de estabilidade (platô) e de regressão espontânea (involução). Estima-se que a involução completa dos hemangiomas infantis ocorra no ritmo de 10% ao ano, de modo que 30% involuiriam até os 3 anos de idade, 50% até os 5 anos, 70% até os 7 anos e mais de 90% entre os 9 e 10 anos de idade.

A conduta expectante é recomendada, na maioria dos casos, pois há altas taxas de involução espontânea. Necessitarão de tratamento as lesões que envolvem a área periorbital, região central da face, vias aéreas, dobras cutâneas, região anogenital e áreas com risco de ulceração, disfunção ou desfiguração. Busca-se também prevenir ou reverter as complicações que ameacem a vida ou a função de órgãos. Devem ser considerados o tamanho e a localização das lesões, a idade do paciente, a fase de crescimento do hemangioma e implicações psicossociais envolvendo o paciente e os pais.

Quando uma criança (ou adulto) tem prurido (coceira) intenso na cabeça, é sinal que ela pode estar com piolhos – ou pediculose do couro cabeludo . A pediculose pode ser confirmada pela presença de lêndeas ou piolhos no couro cabeludo. As lêndeas são os ovos dos piolhos – aqueles pontinhos brancos que ficam agarrados aos fios dos cabelos. Já o piolho é o parasita, aqueles bichinhos pretos que ficam caminhando pelo couro cabeludo.

Quando a criança está infestada de piolhos, a coceira é tão intensa que pode provocar pequenos ferimentos na cabeça. Por isso, é preciso retirar as lêndeas com pente fino, pois os medicamentos só matam os piolhos. Se as lêndeas continuarem nos cabelos, a criança voltará a ter piolhos.

A transmissão da infecção se dá através de contato direto (inclusive relação sexual) ou indireto (escovas de cabelo, roupas, etc). No caso das roupas, estamos nos referindo também à pediculose do corpo e na relação sexual, a pediculose pubiana.

No tratamento da pediculose são utilizados, em geral, os mesmos medicamentos tópicos usados na escabiose (“sarna”). É fundamental o tratamento dos familiares ou comunicantes do doente. Raramente é necessário o corte de cabelos de crianças acometidas.

Para prevenir a pediculose, o ideal é evitar o compartilhamento de roupas, toalhas, acessórios de cabelo e outros objetos de uso pessoal, bem como evitar o contato direto com pacientes infectados.

A escabiose (ou sarna) é uma doença contagiosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variedade hominis, transmitida pelo contato direto com uma pessoa infectada. Ocorre em ambos os sexos, em qualquer faixa etária, independentemente da raça ou de hábitos de higiene pessoal. O Sarcoptes scabiei é um parasita exclusivo da pele do homem, e que sobrevive poucas horas quando está fora dela. A fêmea fecundada penetra na epiderme e elimina cerca de 40 a 50 ovos, morrendo em seguida.

Geralmente, 3 a 4 dias após o contato com o ácaro, surgem pápulas (“bolinhas”), às vezes com pequenas bolhas de água e que coçam muito, localizadas nos punhos, entre os dedos, mamilos, axilas, abdômen, nádegas e genitália. Nas crianças pode acometer o couro cabeludo, palmas das mãos e plantas dos pés. O prurido (coceira) é mais intenso à noite, provocando arranhões que podem infectar.
O diagnóstico é feito com base na história de coceira noturna, associada a lesões cutâneas presentes nos locais sugestivos. Em geral, há mais de um caso no ambiente residencial. O diagnóstico é clínico, mas se necessário, poderá ser feita uma confirmação laboratorial pelo achado do ácaro, em material coletado da pele do paciente, examinado ao microscópio.

Há vários medicamentos de uso tópico que podem ser utilizados no tratamento da escabiose. Existe também a possibilidade do tratamento incluir o uso de drogas sistêmicas. Antes de iniciar o tratamento, deve ser feito um levantamento de todos os membros da casa, avaliando e tratando os que estão acometidos, e evitando assim, a permanência de contágio entre familiares. As roupas devem ser trocadas e lavadas diariamente. Gestantes e lactantes não devem utilizar os mesmos medicamentos que as outras pessoas acometidas pela escabiose.

veerugasVerrugas são proliferações benignas da pele causadas pelo papilomavírus humano (HPV). A infecção ocorre nas camadas mais superficiais da pele ou mucosa, ativando o crescimento anormal das células da epiderme.

A transmissão do HPV ocorre por contato direto com pessoas e/ou objetos infectados. Pequenas feridas são necessárias para inoculação do HPV, motivo pelo qual as verrugas são mais comuns em áreas de traumas. É possível ocorrer autoinoculação por meio de pequenos ferimentos que servem de porta de entrada para o vírus, também a transmissão pelo contato sexual e pela via materno-fetal no momento do parto. Pacientes com baixa imunidade são os mais vulneráveis ao aparecimento de verrugas. O pico de incidência ocorre entre 12 e 16 anos.

O aspecto da verruga varia de acordo com o local acometido. Costumam se apresentar sem sintomas, vegetantes, ásperas, da cor da pele, mas também podem ser planas, macias e escuras.

As verrugas podem involuir espontaneamente, dentro de meses, ou persistir por anos. Nas crianças geralmente curam-se sem necessidade de medicação, entretanto, por causa do risco de disseminação do vírus para outras pessoas e o surgimento de novas lesões no próprio indivíduo pela autocontaminação, seu tratamento é recomendado. Já nos adultos, as verrugas não costumam desaparecer sem tratamento. Existem diferentes modalidades terapêuticas que levam a destruição ou remoção das lesões. Cada tipo de verruga exige um tratamento diferenciado.

impetigoÉ uma infecção superficial de pele, causada pelas bactérias Estreptococo do grupo A e também pelo Estafilococo Aureus. Observada em crianças pequenas e nos países de clima quente. Eventualmente podem ocorrer em surtos.

O impetigo inicia com bolinhas vermelhas que se enchem de água e/ou de pus e rompem, formando erosões recobertas por crostas espessas cor de mel. Inicialmente em pequeno número, aparecem mais na face, em volta do nariz, da boca e nas pernas; espalham-se, às vezes unindo-se, formando lesões maiores. O tratamento é feito com antibióticos cuja escolha está na dependência do agente infeccioso (se Estreptococo ou Estafilococo). Nos quadros leves, a opção é somente pelos antibióticos tópicos (de uso externo).

É preciso acompanhar o doente até a resolução da infecção porque existe o risco, nos casos de o agente ser Estreptococo, do comprometimento dos rins, o que é chamado de Glomerulonefrite Estreptocócica.

Nos pacientes com impetigo, as lesões devem ser mantidas limpas, lavadas com água morna e sabão, com retirada de secreções e crostas. Sabões comuns ou com substâncias antissépticas, como triclosano, clorexidina ou iodopovidona, podem ser utilizados.

A higiene das mãos e da pele como um todo e a troca dos lençóis, das toalhas de banho e das roupas de corpo em uso são primordiais e podem modificar a resposta ao tratamento, facilitando a cura.

É indispensável, ainda, que os familiares e outras pessoas que têm contato constante com o doente também reforcem os hábitos de higiene para impedir a disseminação.