Tricologia
Tricologia
A tricologia médica é a área da dermatologia dedicada ao estudo, diagnóstico e tratamento das doenças dos cabelos, pelos e couro cabeludo. Embora muitas pessoas associem tricologia apenas à queda de cabelo, essa área é muito mais ampla: envolve investigação de alopecias, inflamações do couro cabeludo, doenças autoimunes, infecções por fungos, descamação, coceira, rarefação capilar, falhas localizadas e alterações da haste dos fios. Antes de tratar, é preciso entender por que o cabelo está caindo – se há inflamação, se o folículo ainda está preservado, se a perda é reversível e qual abordagem tem maior chance de resultado para aquele paciente.
A consulta de tricologia começa com uma avaliação detalhada do histórico do paciente – início e padrão da queda, sintomas associados, doenças prévias, medicamentos, alterações hormonais e histórico familiar. Em seguida, o médico realiza exame clínico do couro cabeludo e dos fios, podendo lançar mão da tricoscopia, que é a dermatoscopia aplicada aos cabelos: um exame não invasivo que permite visualizar folículos, fios, vasos e sinais de inflamação com alta precisão, auxiliando no diagnóstico diferencial entre as diferentes formas de alopecia. Quando necessário, podem ser solicitados exames laboratoriais, exame micológico, cultura ou biópsia do couro cabeludo.
Na Dermacenter Alto Vale, a tricologia é conduzida com foco em diagnóstico preciso e tratamento direcionado à causa. A clínica avalia desde as formas mais comuns – alopecia androgenética e eflúvio telógeno – até condições que exigem atenção especial, como alopecia areata, alopecias cicatriciais, líquen plano pilar e infecções fúngicas do couro cabeludo. A consulta é indicada para quem apresenta queda persistente de cabelo, falhas, afinamento progressivo dos fios, coceira, ardência, descamação ou qualquer sinal de inflamação no couro cabeludo.
Com um equipamento chamado dermatoscópio, que possui uma lente de aumento e emite uma luz polarizada sobre o couro cabeludo, é possível analisar diversos achados que são indicadores de determinadas doenças. Com esse equipamento pode-se analisar as alterações presentes na pele que circunda a emergência dos fios, o número e a densidade dos folículos, o número de fios por folículo e sua espessura, presença ou não de fios de repilação ou fios atróficos. Pode ainda ser utilizada para acompanhamento do tratamento. É uma ferramenta indispensável na avaliação da queixa de queda de cabelo.
Neste exame, uma amostra de fios é “arrancada” do couro cabeludo e analisada através de um microscópio. Os fios são classificados em anágeno, catágeno e telógeno, de acordo com a sua fase de crescimento e padrão de proporcionalidade, considerado normal de 85 a 90% de anágeno, 10 a 15% de telógeno e 1% de catágeno. Com esse exame, podemos avaliar alterações nessas proporções que podem indicar determinadas doenças. Outra variante desse exame, seria raspar uma pequena área do cabelo e fotografar de imediato, após 7 dias. Isso ajuda a avaliar a proporção de fios anágenos (fios que crescem), dos fios telógenos (em repouso).
Após a anestesia, uma pequena área do couro cabeludo é removida e enviada para análise do patologista.
O patologista, com experiência em patologias do cabelo, analisa a estrutura dérmica dos fios (profundidade).
Os pacientes apresentam diminuição progressiva do diâmetro e comprimento das hastes capilares das áreas mais susceptíveis aos efeitos dos andrógenos como a frontal, parietal e vértice. É considerada a causa mais comum de alopécia. Afeta em intensidade variável até 80% dos homens e 50% das mulheres. Nas mulheres é chamada de alopécia androgenética de padrão feminino.
Existe uma predisposição familiar para a doença, e apesar da clara evidência da participação dos andrógenos (testosterona) na sua gênese, na maioria dos pacientes não há aumento sérico desses hormônios, mas sim um aumento dos receptores dos andrógenos nas áreas acometidas. O tratamento deve ser iniciado precocemente e de longa duração. Casos mais avançados, em que o folículo piloso está completamente atrofiado, a única opção possível é o transplante de cabelos.
É uma causa comum de queda de cabelo. Ocorre devido a uma conversão prematura dos fios de cabelo na fase de crescimento dos fios (anágena) para a fase de fios terminais (telógena). Ocorre uma queda de 200 a 300 fios por dia, geralmente entre 2 a 3 meses após um estímulo desencadeante. Quando afastado ou corrigido o agente causador, o processo cessa, e verifica-se uma recuperação total dos fios.
Pode acometer qualquer indivíduo. Pacientes em dieta rigorosa, estresse emocional, deficiência de ferro, deficiência de vitaminas, doenças sistêmicas, distúrbios hormonais e medicamentos. Em pacientes no pós-parto e após cirurgia bariátrica, a queda dos cabelos é dramática e muitas vezes assustadora para os pacientes. Em até 30% dos casos a causa não é identificada. Muitos pacientes, em torno de 30%, apresentam dor ou sensação de ardência/queimação do couro cabeludo. A doença pode se tornar crônica e se assemelhar com a alopécia androgenética.
A alopécia areata é uma doença autoimune. Caracteriza-se por uma ampla forma de apresentação. A mais característica é a de pequenas áreas circulares bem definidas de perda dos cabelos. Pode acometer qualquer área do corpo, incluindo a área da barba e genitais. Mais de 50% dos casos se iniciam antes dos 20 anos.
A maioria dos casos é autolimitado, mas casos graves, com a perda completa de todos os fios do corpo pode acontecer, um quadro dramático e de difícil tratamento.
A escolha do tratamento depende da idade do paciente, extensão da perda dos pelos e da presença de doenças associadas. Quanto mais precoce se tiver o diagnóstico e iniciar o tratamento, maiores são as chances de sucesso terapêutico.
Nesse tipo, a tração exagerada promove rarefação dos fios, geralmente na porção frontal e temporal da linha de implantação dos cabelos. Afeta principalmente pacientes de pele negra, que necessitam andar com os cabelos constantemente presos, ou uso de acessórios para alisamento e embelezamento como rolos, pranchas ou megahair.
Se o ato de tracionar o cabelo não for suspenso, a alopécia pode se tornar cicatricial e definitiva.
Nesse grupo, estão incluídas diversas patologias que promovem a destruição permanente do folículo piloso e de suas células troncos, resultando em fibrose local e alopécia definitiva. Entre as mais comuns estão o Lúpus eritematoso discoide, Líquen plano pilar, foliculite decalvante, alopécia central centrífuga e acne queloidiana da nuca. Essas patologias necessitam de avaliação especializada e tratamento precoce. Depois que a fibrose substitui os folículos pilosos, a alopécia é definitiva.