Micose de pele: o que é, quais os tipos e como tratar corretamente

Micose de pele: o que é, quais os tipos e como tratar corretamente

A micose de pele é uma infecção causada por fungos que podem atingir a pele, as unhas, os cabelos e algumas mucosas. Em muitos casos, ela provoca coceira, descamação, vermelhidão, manchas, fissuras entre os dedos, alteração das unhas ou falhas no couro cabeludo. Embora pareça um problema simples, nem toda mancha descamativa é micose, e nem toda unha amarelada tem fungo.

Por isso, o diagnóstico correto faz diferença. Algumas doenças imitam micose, como dermatite, psoríase, alergias, pitiríase rósea, lúpus cutâneo, trauma nas unhas e outras alterações inflamatórias. Antes de usar pomadas por conta própria ou tomar antifúngicos orais, o ideal é passar por avaliação dermatológica. Artigos de revisão reforçam que a tinea pode ser suspeitada clinicamente, mas muitas doenças entram no diagnóstico diferencial e podem simular infecção fúngica.

As micoses superficiais costumam afetar pele, unhas e cabelos. A Cleveland Clinic descreve que infecções fúngicas podem acometer pele, unhas, cabelo e mucosas, embora fungos também possam causar doenças mais profundas em pessoas com maior risco, especialmente imunossuprimidos.

O que é micose de pele?

Micose de pele é o nome popular para infecções causadas por fungos na superfície da pele. Esses fungos podem viver no ambiente, em animais, em outras pessoas ou até fazer parte da flora normal da pele, como acontece com a Malassezia, relacionada à pitiríase versicolor.

Fungos gostam de queratina, calor e umidade

Muitos fungos que causam micose superficial pertencem ao grupo dos dermatófitos. Eles têm afinidade por queratina, uma proteína presente na camada superficial da pele, nas unhas e nos cabelos. Por isso, podem causar tinea corporis no corpo, tinea pedis nos pés, tinea cruris na virilha, tinea capitis no couro cabeludo e tinea unguium nas unhas.

A umidade, o suor, o calor, o atrito, os calçados fechados e a permanência prolongada com roupas úmidas favorecem algumas formas de micose. A Cleveland Clinic também destaca que infecções fúngicas são mais comuns em áreas do corpo que retêm umidade ou sofrem atrito.

Micose pode passar de uma região para outra

A micose pode persistir quando existe um reservatório não tratado. Um exemplo comum é a unha com fungo funcionando como fonte de reinfecção para os pés. O artigo do Australian Journal of General Practice explica que, em casos recorrentes de tinea, é essencial procurar reservatórios, e as unhas dos pés são uma fonte comum para tinea pedis recorrente e autoinoculação para outras áreas, como mãos e virilha.

Isso explica por que alguns pacientes melhoram da frieira, mas ela volta repetidamente. Se a unha continua infectada, o fungo pode permanecer no ambiente do pé e favorecer novas crises.

Nem toda micose é igual

A palavra “micose” reúne problemas diferentes. Algumas micoses aparecem como placas vermelhas em formato de anel. Outras causam manchas claras ou acastanhadas. Algumas atingem unhas e exigem meses de tratamento. Outras acometem o couro cabeludo e precisam de remédio oral. Por isso, o tratamento muda conforme o tipo, a localização, a extensão e o paciente.

Principais tipos de micose de pele

A micose pode receber nomes diferentes conforme a área do corpo. Essa organização ajuda o dermatologista a escolher exames e tratamento.

Micose no corpo: tinea corporis

A tinea corporis, também chamada popularmente de “impingem” em algumas regiões, costuma aparecer como uma placa avermelhada, descamativa, com borda mais ativa e centro mais claro. Muitas vezes forma um desenho em anel.

Ela pode coçar e crescer aos poucos. Pode surgir em crianças, adultos, atletas, pessoas que têm contato com animais ou pacientes que compartilham toalhas, roupas e objetos contaminados. A Cleveland Clinic descreve que dermatófitos podem infectar diferentes regiões da pele, incluindo corpo, pés, virilha, mãos, couro cabeludo e unhas.

Um erro comum é usar pomada com corticoide sem diagnóstico. Isso pode mascarar a micose, diminuir a vermelhidão temporariamente e permitir que o fungo se espalhe. Esse quadro é conhecido como tinea incognito, uma micose modificada por corticoides ou imunossupressores tópicos.

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Micose nos pés: tinea pedis ou frieira

A tinea pedis, conhecida como frieira ou pé de atleta, é uma das micoses mais comuns. Pode causar descamação, fissuras, maceração e coceira entre os dedos. Também pode afetar a planta dos pés, com pele mais grossa, seca e descamativa.

O artigo do Australian Journal of General Practice descreve a forma interdigital como a apresentação mais comum da tinea pedis, com maceração e descamação entre os dedos. Também cita a forma crônica tipo “mocassim”, que causa vermelhidão e descamação nas áreas plantares e laterais dos pés.

A prevenção envolve secar bem os pés após o banho, principalmente entre os dedos, trocar meias diariamente, alternar calçados e evitar andar descalço em banheiros coletivos, vestiários e áreas úmidas compartilhadas.

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Micose na virilha: tinea cruris

A tinea cruris acomete a região da virilha e é mais comum em adultos, especialmente homens. Costuma causar placas avermelhadas, descamativas, com bordas mais ativas, coceira e desconforto pelo atrito.

Calor, suor, roupas apertadas e tinea pedis associada podem favorecer o quadro. Em alguns pacientes, o fungo chega à virilha por autoinoculação a partir dos pés ou das unhas. Por isso, o dermatologista avalia não apenas a virilha, mas também os pés e as unhas.

Micose nas unhas, couro cabeludo e pitiríase versicolor

Além da pele do corpo, os fungos podem afetar unhas e couro cabeludo. Também existe a pitiríase versicolor, que não é causada por dermatófitos, mas por leveduras do gênero Malassezia.

Micose nas unhas: onicomicose

A micose da unha, ou onicomicose, pode deixar a unha amarelada, esbranquiçada, acastanhada, grossa, quebradiça, descolada ou com acúmulo de material por baixo. Ela é mais comum nos pés e aumenta com a idade.

O artigo do Australian Journal of General Practice descreve que a onicomicose é muito frequente em idosos, podendo chegar a até 50% em pessoas acima de 70 anos. Também informa que quase metade dos pacientes com onicomicose nos pés apresenta infecção fúngica de pele associada, principalmente tinea pedis.

Nem toda unha grossa é micose. Psoríase, trauma, envelhecimento, líquen plano, alopecia areata e outras doenças podem imitar onicomicose. Por isso, exames como micológico direto, cultura, histopatológico da unha ou outros métodos podem ser necessários antes de iniciar tratamento oral.

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Fungos no couro cabeludo: tinea capitis

A tinea capitis é a micose do couro cabeludo e dos fios de cabelo. Ela ocorre principalmente em crianças antes da puberdade. Pode causar descamação, falhas de cabelo, pontos pretos na saída dos fios, coceira e, em casos mais inflamatórios, uma placa dolorosa com pus e crostas chamada kerion.

A revisão do Australian Journal of General Practice descreve três apresentações principais da tinea capitis: placas descamativas com alopecia, alopecia com pontos pretos nos folículos e descamação difusa com perda sutil de cabelo. O mesmo artigo reforça que o kerion pode causar cicatriz permanente e alopecia se não for tratado.

Diferente de algumas micoses de pele, a tinea capitis geralmente precisa de tratamento oral. Shampoos antifúngicos podem reduzir transmissão, mas não costumam curar sozinhos a infecção do couro cabeludo.

Pitiríase versicolor: o “pano branco”

A pitiríase versicolor, também chamada popularmente de pano branco, é causada por leveduras do gênero Malassezia, que fazem parte da flora normal da pele. Em algumas condições, elas se multiplicam e alteram a pigmentação da pele.

As manchas podem ser claras, acastanhadas ou rosadas, geralmente com descamação fina. Costumam aparecer em tronco, costas, ombros, pescoço e braços. O artigo sobre infecções fúngicas da pele explica que a Malassezia faz parte da flora cutânea normal e tem papel na pitiríase versicolor, especialmente em áreas mais oleosas do corpo.

É importante explicar ao paciente que a cor da pele pode demorar a normalizar mesmo após o fungo ser controlado. Isso não significa necessariamente falha do tratamento.

Saiba mais sobre pano branco

Como o dermatologista confirma se é micose?

O diagnóstico começa pelo exame clínico. O dermatologista avalia formato, bordas, descamação, localização, sintomas, evolução, tratamentos já usados e presença de lesões em outras áreas.

Exame micológico direto e cultura

Em muitos casos, o médico pode solicitar raspado da pele, fragmentos de unha ou amostras de cabelo para exame micológico. O KOH pode mostrar estruturas fúngicas rapidamente. A cultura pode identificar o fungo, mas pode demorar semanas e ter falso negativo, especialmente em amostras de unha.

Antes de usar antifúngico oral, a confirmação laboratorial ganha ainda mais importância. A revisão do Australian Journal of General Practice orienta investigação antes de terapia sistêmica, porque muitas doenças imitam tinea e, sem confirmação, o médico pode não saber quando interromper o tratamento.

Dermatoscopia e avaliação completa da pele

A dermatoscopia pode ajudar em algumas situações, especialmente nas unhas, no couro cabeludo e em lesões que simulam outras doenças. Além disso, o dermatologista deve procurar reservatórios: pés, unhas, virilha, mãos, couro cabeludo e até animais de estimação, quando o padrão sugere transmissão por cães ou gatos.

Quando pensar em outra doença

Se a lesão não melhora, volta sempre, piora com pomadas, tem bordas pouco típicas, aparece em áreas incomuns ou não tem confirmação laboratorial, o diagnóstico precisa ser revisto. Dermatite, psoríase, lúpus cutâneo, pitiríase rósea, alergias, escabiose e outras doenças podem entrar na lista.

Principais medicações usadas para micose de pele

O tratamento depende da região acometida, da extensão e da gravidade. A escolha deve considerar idade, gravidez, doenças do fígado, interações medicamentosas, imunossupressão e risco de efeitos adversos.

Antifúngicos tópicos

Micoses localizadas na pele, como tinea corporis, tinea cruris e alguns casos de tinea pedis, muitas vezes respondem a cremes, loções, sprays ou soluções antifúngicas. Entre as classes usadas estão as alilaminas, como terbinafina, e os azóis, como clotrimazol, miconazol, cetoconazol e outros.

A revisão do Australian Journal of General Practice informa que a maioria dos casos de tinea corporis, tinea cruris e tinea pedis pode ser tratada com terapia tópica, enquanto casos mais extensos, recorrentes ou específicos podem exigir tratamento oral.

Antifúngicos orais

Antifúngicos orais podem ser necessários em micose de unha, tinea capitis, infecções extensas na pele, falha do tratamento tópico ou pacientes imunossuprimidos. Entre as medicações usadas estão terbinafina, itraconazol, fluconazol e griseofulvina, dependendo do tipo de fungo, localização e perfil do paciente.

Esses medicamentos não devem ser usados sem avaliação. Eles podem ter contraindicações, interações e necessidade de acompanhamento, especialmente em pessoas com doença hepática, uso de múltiplos medicamentos ou tratamentos prolongados.

Esmaltes, shampoos e tratamentos complementares

Na micose de unha, esmaltes antifúngicos como ciclopirox e amorolfina podem ser úteis em situações selecionadas, mas têm limitações, principalmente quando a unha está muito espessa, várias unhas estão acometidas ou há comprometimento mais profundo.

No couro cabeludo, shampoos antifúngicos podem reduzir a transmissão, mas não substituem o tratamento oral quando há tinea capitis. Na pitiríase versicolor, xampus, loções e cremes antifúngicos podem ser usados conforme extensão e recorrência.

Como prevenir micose de pele e evitar recorrência?

Prevenir micose não depende de uma única medida. O objetivo é reduzir umidade, atrito, contaminação e reservatórios de fungos.

Cuidados com pele, pés e roupas

Seque bem a pele após o banho, principalmente entre os dedos. Evite permanecer com roupa úmida por muito tempo. Troque meias diariamente. Alterne calçados. Evite compartilhar toalhas, calçados, alicates, lixas, escovas e objetos pessoais. Use chinelos em banheiros coletivos, vestiários, clubes, academias e áreas úmidas compartilhadas.

A Cleveland Clinic recomenda higiene pessoal, evitar pele úmida por muito tempo, não andar descalço em banheiros e vestiários públicos, manter unhas curtas e limpas e não compartilhar toalhas ou itens pessoais.

Tratar reservatórios

Quando a micose volta sempre, é preciso procurar a fonte. Unhas infectadas, pés com frieira, calçados contaminados, animais com fungo e contatos domiciliares podem manter o ciclo.

A revisão do Australian Journal of General Practice reforça que dermatófitos podem acometer mais de uma área do corpo ao mesmo tempo e que o exame completo da pele ajuda a identificar extensão e reservatórios.

Cuidado com automedicação e corticoides

Pomadas com corticoide podem aliviar coceira e vermelhidão, mas podem mascarar e piorar micoses quando usadas sem diagnóstico. Isso favorece a tinea incognito, que fica menos típica e pode se espalhar.

Perguntas frequentes sobre micose de pele

1. O que é micose de pele?

Micose de pele é uma infecção causada por fungos que atingem principalmente a camada superficial da pele. Pode causar coceira, vermelhidão, descamação, manchas, fissuras ou lesões em formato de anel.

2. Micose de pele passa de uma pessoa para outra?

Algumas micoses podem passar por contato direto com pessoa infectada, animal infectado ou objetos contaminados, como toalhas, roupas, calçados e instrumentos. A Cleveland Clinic informa que algumas infecções superficiais, como ringworm, podem se espalhar por contato direto.

3. Toda mancha branca é micose?

Não. Mancha branca pode ser pitiríase versicolor, mas também pode ser vitiligo, hipomelanose, dermatite, cicatriz, ressecamento ou outras alterações. O exame dermatológico ajuda a diferenciar.

Saiba mais como diferenciar fungo de dermatite.

4. Micose de unha precisa de comprimido?

Nem sempre, mas muitas onicomicoses exigem tratamento prolongado e, em alguns casos, antifúngico oral. Antes disso, o ideal é confirmar o diagnóstico, porque muitas doenças imitam micose de unha.

5. Micose volta depois do tratamento?

Pode voltar. Recorrência pode ocorrer por umidade, calçados fechados, contato com áreas contaminadas, tratamento incompleto, unha infectada funcionando como reservatório ou reinfecção por contato com pessoas, animais ou objetos.

Agende uma avaliação para micose de pele

Se você tem suspeita de micose de pele, manchas que descamam, coceira persistente, frieira entre os dedos, fungo na unha, alteração no couro cabeludo ou pano branco, agende uma avaliação com a equipe da Dermacenter Alto Vale.

A Dermacenter Alto Vale possui equipe de médicos dermatologistas especialistas, com residência médica e experiência no diagnóstico e tratamento de micoses, dermatites, psoríase, alterações das unhas, doenças do couro cabeludo e manchas na pele. Atendemos pacientes de Rio do Sul, do Alto Vale e de outras regiões de Santa Catarina, com possibilidade de consulta presencial ou online conforme o caso.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica individualizada. O tratamento correto depende do tipo de micose, da localização, da extensão, dos exames e das condições de saúde de cada paciente.

Dermacenter Alto Vale
Responsável técnico: Dr. Timotio Dorn — CREMESC 22594 | RQE 13225

Referências bibliográficas

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Cleveland Clinic. Fungal Infections (Mycosis): Types, Causes & Treatments.

One Health Trust. 5 Facts About Fungal Infections.