Rosácea: o que é, sintomas, causas e como tratar

Rosácea: o que é, sintomas, causas e como tratar

rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele, mais comum em adultos, que costuma provocar vermelhidão no centro do rosto, principalmente nas bochechas, nariz, testa e queixo. Algumas pessoas apresentam episódios súbitos de calor e vermelhidão, conhecidos como flushing, enquanto outras desenvolvem vasos aparentes, ardência e até lesões semelhantes a espinhas.

Apesar de muita gente achar que se trata apenas de “pele sensível” ou “vermelhidão do rosto”, a rosácea pode apresentar manifestações diferentes em cada pessoa. O tratamento também muda conforme aquilo que predomina: vermelhidão, vasos, inflamação, pápulas, pústulas, alterações do nariz ou sintomas oculares.  

O que é rosácea?

A rosácea é uma condição inflamatória que envolve uma combinação de alterações vasculares, imunológicas, inflamatórias e neurovasculares.

Isso ajuda a explicar por que uma pessoa pode ficar muito vermelha com calor ou emoção, enquanto outra apresenta principalmente “espinhas” e outra desenvolve ardência ou vasos finos no rosto.

Atualmente, é mais útil avaliar quais características estão presentes em cada paciente do que tentar encaixá-lo rigidamente em um único subtipo. Entre as manifestações mais importantes estão vermelhidão persistente, flushing, telangiectasias, pápulas, pústulas, ardência, ressecamento e, em alguns casos, alterações oculares.  

Como a rosácea aparece no rosto?

A apresentação clássica é uma vermelhidão que se concentra na parte central da face.

No começo, ela pode aparecer somente em determinados momentos.

A pessoa toma uma bebida quente, entra em um ambiente abafado, fica nervosa ou pratica exercício e percebe que o rosto fica muito vermelho.

Depois de alguns minutos ou horas, a cor diminui.

Com o passar do tempo, em algumas pessoas essa vermelhidão pode se tornar mais persistente.

Também podem surgir:

vasinhos aparentes;

sensação de calor;

ardência;

sensibilidade aumentada;

pápulas avermelhadas;

pústulas parecidas com espinhas;

pele ressecada ou irritada.

Flushing, eritema, pápulas, pústulas e sintomas de ardência estão entre as manifestações características da doença.  

Rosácea pode dar espinhas?

Sim.

Uma das apresentações mais frequentes é a rosácea papulopustulosa, que produz bolinhas inflamadas e pústulas que podem se parecer muito com acne.

É comum o paciente dizer:

“Comecei a ter espinhas depois dos 30 ou 40 anos.”

Mas existem algumas diferenças importantes.

Na rosácea, muitas vezes há vermelhidão de fundo, flushing e sensibilidade da pele.

Além disso, os cravos típicos da acne não costumam ser a característica predominante.

Por isso, tratar rosácea como se fosse simplesmente acne pode irritar ainda mais a pele.

Qual a diferença entre rosácea e acne?

As duas doenças podem produzir lesões inflamadas no rosto, mas são condições diferentes.

Na acne, encontramos com frequência cravos, aumento da oleosidade e obstrução dos folículos.

Na rosácea, predominam vermelhidão, flushing, vasos aparentes, sensibilidade e, em alguns pacientes, pápulas e pústulas.

Uma pessoa pode inclusive ter acne e rosácea ao mesmo tempo.

É por isso que a avaliação dermatológica é importante quando as chamadas “espinhas” começam ou persistem na idade adulta.

Saiba mais sobre a acne: Tratamento da acne em Rio do Sul

O que é flushing?

Flushing é aquela vermelhidão súbita do rosto que aparece e desaparece.

O paciente pode sentir o rosto aquecer rapidamente e ficar bastante vermelho.

Calor, estresse emocional e alimentos picantes estão entre os estímulos capazes de ativar vias neurovasculares associadas ao flushing.  

Em algumas pessoas, os episódios duram poucos minutos.

Em outras, permanecem por muito mais tempo.

Quando acontecem repetidamente, podem ser um dos primeiros sinais de rosácea.

O que piora a rosácea?

Os gatilhos variam bastante de pessoa para pessoa.

Entre os mais relatados estão:

exposição ao sol;

calor;

banhos muito quentes;

exercício intenso;

bebidas quentes;

álcool;

comidas apimentadas;

mudanças bruscas de temperatura;

estresse emocional.

A pele com rosácea também pode reagir mal a cosméticos irritantes.

O objetivo não é criar uma lista enorme de proibições para todos os pacientes.

É identificar quais gatilhos realmente fazem diferença naquela pessoa.

O sol piora a rosácea?

Pode piorar bastante.

A radiação ultravioleta participa tanto da inflamação quanto de alterações vasculares e de matriz da pele.

Por isso, fotoproteção diária é uma parte importante do tratamento, e não apenas um cuidado estético.  

Para quem possui pele muito sensível, também é importante escolher um filtro solar que seja bem tolerado.

Por que a rosácea acontece?

Não existe uma causa única.

A rosácea parece surgir da interação entre predisposição genética, resposta exagerada dos vasos sanguíneos, alteração da imunidade da pele e fatores ambientais.

Existem ainda alterações em moléculas inflamatórias, como catelicidinas, LL-37, TLR2 e inflamassomas, que ajudam a explicar por que a pele permanece inflamada e vascularmente reativa.  

Além disso, alguns pacientes apresentam maior densidade de Demodex folliculorum, um ácaro que vive normalmente nos folículos da pele.

Isso não significa que rosácea seja simplesmente uma “infecção por ácaro”.

O Demodex pode participar da inflamação em determinados pacientes, mas a doença é muito mais complexa.  

Rosácea é causada por bactéria?

Não.

A rosácea não é uma infecção bacteriana simples.

Alguns medicamentos chamados de antibióticos funcionam na rosácea principalmente devido aos seus efeitos anti-inflamatórios, e não porque estejam simplesmente eliminando uma bactéria.

A doxiciclina, por exemplo, pode reduzir mediadores inflamatórios e algumas vias envolvidas na doença.  

Isso explica por que alguns esquemas utilizam doses com objetivo anti-inflamatório.

Rosácea tem cura?

A rosácea é considerada uma doença crônica.

Isso significa que existe predisposição para recorrências.

Não falamos geralmente em uma cura definitiva, mas em controle.

Com tratamento adequado, muitas pessoas conseguem ficar longos períodos com pouca ou nenhuma manifestação.

O objetivo é diminuir inflamação, controlar vermelhidão, reduzir crises, tratar lesões e evitar progressão.  

Quais são os tipos de rosácea?

Historicamente, a doença foi dividida em quatro grupos principais:

Rosácea eritematotelangiectásica: predomina vermelhidão e vasos aparentes.

Rosácea papulopustulosa: predomina inflamação com pápulas e pústulas.

Rosácea fimatosa: ocorre espessamento progressivo da pele, principalmente do nariz.

Rosácea ocular: compromete olhos e pálpebras.

Hoje, porém, o dermatologista tende a tratar cada fenótipo presente, porque um mesmo paciente pode ter várias manifestações ao mesmo tempo.  

O que é rosácea ocular?

A rosácea também pode afetar os olhos.

Pode causar:

ardência;

sensação de areia;

olhos secos;

vermelhidão;

inflamação das pálpebras;

episódios recorrentes de terçol ou calázio.

Blefarite, conjuntivite, telangiectasias na margem palpebral e, em casos mais importantes, comprometimento da córnea podem fazer parte do quadro.  

Sintomas oculares importantes merecem avaliação adequada e, em alguns casos, acompanhamento conjunto com oftalmologista.

Rosácea pode alterar o nariz?

Sim.

Em alguns pacientes ocorre uma forma chamada rosácea fimatosa, com espessamento progressivo da pele e aumento das glândulas sebáceas.

Quando isso acontece predominantemente no nariz, chamamos de rinofima.

É mais frequente em homens e costuma aparecer depois de anos de doença.

O tratamento pode exigir procedimentos cirúrgicos ou métodos ablativos dependendo do grau de deformidade.

Saiba mais sobre rinofima: Rinofima: o que é, início, fotos e tratamento

Como é feito o diagnóstico?

Na maior parte dos casos, o diagnóstico é clínico.

O dermatologista avalia:

onde está a vermelhidão;

se existe flushing;

vasos;

pápulas e pústulas;

sensibilidade;

alterações do nariz;

e sintomas oculares.

Não existe um exame de sangue específico que confirme rosácea.

Em casos incomuns, exames adicionais podem ser solicitados para afastar outras doenças.

O que pode ser confundido com rosácea?

Algumas condições podem parecer rosácea, como:

acne;

dermatite seborreica;

dermatite perioral;

dermatite de contato;

fotodermatoses;

algumas doenças autoimunes.

O diagnóstico correto evita tratamentos que podem piorar a sensibilidade e a vermelhidão.

Qual é o melhor tratamento para rosácea?

Não existe um único tratamento considerado melhor para todos.

A escolha depende da manifestação predominante.

Quem apresenta principalmente “espinhas” precisa de uma estratégia.

Quem apresenta principalmente flushing e vermelhidão persistente precisa de outra.

Quem tem muitos vasos aparentes pode se beneficiar de tratamentos específicos para os vasos.

E quem tem rosácea ocular ou rinofima precisa de uma abordagem própria.

Tratamentos tópicos

Entre os medicamentos aplicados diretamente sobre a pele estão opções como:

ivermectina, principalmente para pápulas e pústulas;

metronidazol, com atividade anti-inflamatória;

ácido azelaico, útil em formas inflamatórias;

medicamentos vasoconstritores em pacientes selecionados para vermelhidão persistente.

Ivermectina e metronidazol estão entre os tratamentos com papel estabelecido no controle das lesões inflamatórias da rosácea.  

Tratamentos por via oral

Quando a doença é mais inflamatória, extensa ou não responde adequadamente aos tratamentos tópicos, podem ser utilizados medicamentos orais.

doxiciclina é uma das opções mais utilizadas, principalmente por seu efeito anti-inflamatório.

Em casos mais difíceis e selecionados, a isotretinoína também pode ter um papel.  

Esses medicamentos precisam ser indicados individualmente porque possuem contraindicações e efeitos adversos específicos.

Laser e luz pulsada ajudam na rosácea?

Podem ajudar principalmente no componente vascular.

Pacientes que possuem telangiectasias ou vermelhidão persistente podem se beneficiar de tecnologias direcionadas aos vasos.

É importante entender que o laser não trata necessariamente todos os componentes da rosácea.

Uma pessoa pode precisar controlar primeiro a inflamação com medicamentos e depois tratar os vasos remanescentes.

Rosácea precisa de tratamento combinado?

Muitas vezes, sim.

Como a doença envolve vários mecanismos diferentes, pode ser necessário tratar simultaneamente inflamação, sensibilidade e alterações vasculares.

Combinações de medicamentos tópicos e orais podem produzir resposta mais rápida ou mais completa em alguns pacientes.  

O tratamento é ajustado conforme a resposta.

Como cuidar da pele com rosácea?

A pele de quem tem rosácea costuma ser mais reativa.

Uma rotina simples geralmente funciona melhor do que dezenas de produtos.

Em geral, priorizamos:

limpeza suave;

hidratante bem tolerado;

filtro solar;

medicamentos prescritos;

redução de cosméticos irritantes.

Produtos que ardem repetidamente não devem ser encarados como algo que “precisa arder para funcionar”.

O que não fazer?

Evite usar corticoides no rosto por conta própria.

O uso inadequado pode mascarar sintomas temporariamente e posteriormente produzir piora e quadros semelhantes à rosácea.

Também é aconselhável ter cautela com esfoliações agressivas, ácidos em excesso e procedimentos durante fases muito inflamadas.

Quando procurar um dermatologista?

Vale procurar avaliação quando a vermelhidão se torna frequente ou persistente, quando surgem espinhas na idade adulta associadas a flushing, quando há ardência importante ou quando começam a aparecer vasos aparentes.

Também é recomendável avaliação mais rápida quando existem sintomas oculares ou aumento progressivo do nariz.

Perguntas frequentes sobre rosácea

Rosácea é a vermelhidão do rosto?

Pode ser. Vermelhidão persistente ou crises repetidas de flushing no centro da face estão entre as manifestações mais características.

Rosácea dá espinha?

Sim. A forma papulopustulosa pode produzir pápulas e pústulas parecidas com acne.

Rosácea tem cura?

É uma doença crônica, mas pode ser muito bem controlada.

O sol piora?

Sim, a exposição ultravioleta é um gatilho importante para muitos pacientes.

Quem tem rosácea pode usar maquiagem?

Em geral, sim, desde que sejam escolhidos produtos bem tolerados e que não aumentem ardência ou irritação.

Rosácea piora com álcool?

Pode piorar em algumas pessoas porque o álcool pode favorecer vasodilatação e flushing.

Rosácea pode afetar os olhos?

Sim. Pode causar ardência, ressecamento, blefarite e outras manifestações oculares.

Existe tratamento oral?

Sim. Doxiciclina e, em casos selecionados, outras medicações podem ser utilizadas.

Laser cura rosácea?

Não. Pode melhorar vasos e vermelhidão, mas a rosácea é uma condição crônica e pode exigir tratamento combinado.

Espinha depois dos 40 anos pode ser rosácea?

Pode. Principalmente quando as lesões aparecem associadas à vermelhidão, flushing e sensibilidade da pele.

Referências científicas

GENG, R. S. Q.; BOURKAS, A. N.; MUFTI, A.; SIBBALD, R. G. Rosacea: Pathogenesis and Therapeutic Correlates. Journal of Cutaneous Medicine and Surgery. 2024;28(2):178–189. DOI: 10.1177/12034754241229365.  

YANG, F.; WANG, L.; SONG, D.; et al. Signaling pathways and targeted therapy for rosacea. Frontiers in Immunology. 2024;15:1367994. DOI: 10.3389/fimmu.2024.1367994.  

Aviso médico: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui uma consulta médica individualizada. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos após avaliação adequada de cada paciente.