Como tratar a psoríase: pomadas, fototerapia, metotrexato e imunobiológicos

Como tratar a psoríase: pomadas, fototerapia, metotrexato e imunobiológicos

O tratamento da psoríase depende da gravidade da doença, da localização das lesões, do impacto na qualidade de vida, da presença de psoríase nas unhas, palmas, plantas, rosto, couro cabeludo, dobras ou genitália, além da presença de outras doenças associadas. Por isso, não existe um único melhor tratamento para todos os pacientes.

Na prática, o dermatologista avalia se a psoríase é leve, moderada ou grave. Essa classificação pode considerar o PASI, a porcentagem da superfície corporal acometida, conhecida como BSA, e o impacto na qualidade de vida, medido pelo DLQI. O PCDT do Ministério da Saúde define psoríase leve quando há PASI menor ou igual a 10, acometimento menor ou igual a 10% da superfície corporal ou DLQI menor ou igual a 10. Já a psoríase moderada a grave pode envolver PASI acima de 10, mais de 10% da pele acometida, DLQI acima de 10, acometimento ungueal extenso, psoríase palmoplantar resistente ou lesões em áreas especiais, como genitália, rosto, couro cabeludo e dobras.

Esse ponto é muito importante: uma psoríase com pouca área de pele afetada pode ser considerada grave se acometer uma área de grande impacto, como mãos, pés, rosto, genitais, unhas ou couro cabeludo. Portanto, o tratamento deve olhar para a pessoa, não apenas para a quantidade de placas.

Tratamento tópico da psoríase

O tratamento tópico é aquele feito com cremes, pomadas, loções, soluções ou shampoos aplicados diretamente sobre as lesões. Ele costuma ser a primeira escolha na psoríase leve e também pode complementar tratamentos sistêmicos em pacientes com psoríase moderada ou grave.

Hidratantes e cuidados de barreira

A hidratação da pele é uma parte fundamental do tratamento. Embora o hidratante não substitua medicamentos anti-inflamatórios, ele reduz ressecamento, descamação, fissuras e coceira. Além disso, ajuda a manter a barreira da pele mais íntegra.

O PCDT descreve o uso de emolientes como parte do tratamento tópico e da manutenção, especialmente após o controle inicial com corticosteroides tópicos. Também cita opções como ureia, ácido salicílico e alcatrão mineral em situações específicas.

Corticoides tópicos

Corticoides tópicos, como clobetasol, são muito usados em placas de psoríase. Eles reduzem inflamação, vermelhidão, espessura e descamação. No couro cabeludo, soluções capilares podem ajudar quando há placas espessas e coceira.

No entanto, o uso deve ter orientação médica. Corticoides fortes não devem ser usados continuamente por tempo prolongado, principalmente em face, dobras e genitais, porque podem causar afinamento da pele, estrias, vasinhos, rebote e outros efeitos. O resumo da Assistência Farmacêutica de Santa Catarina orienta que corticosteroides devem ser usados por períodos restritos, geralmente de 15 a 60 dias, dependendo do tipo de pele.

Calcipotriol e combinações

O calcipotriol é um análogo da vitamina D usado no tratamento da psoríase. Ele pode ajudar no controle das placas e pode ser associado a corticoides em algumas estratégias. O PCDT cita o calcipotriol como opção tópica e descreve seu uso na fase inicial e de manutenção, respeitando dose máxima semanal.

Fototerapia para psoríase

A fototerapia para psoríase usa radiação ultravioleta controlada, em equipamento médico, para reduzir a inflamação da pele. Ela não é o mesmo que “tomar sol”. A fototerapia usa doses calculadas, frequência definida e acompanhamento.

O PCDT afirma que a fototerapia age por imunossupressão local, redução da hiperproliferação epidérmica e apoptose de linfócitos T. Também descreve a fototerapia como método terapêutico considerado de primeira linha para psoríase moderada e grave, geralmente realizada duas a três vezes por semana.

UVB de faixa estreita

A fototerapia UVB de faixa estreita é uma das modalidades mais utilizadas. Ela costuma ter bom perfil de segurança e pode ser útil em pacientes com lesões extensas, pacientes que não toleram medicamentos por via oral, gestantes, lactantes e alguns casos pediátricos, sempre com avaliação individual.

O PCDT destaca que a UVB de faixa estreita tem melhor desempenho do que a UVB de faixa larga e, atualmente, é preferível em muitos cenários. Também informa que pode ser usada na gestação e lactação, sem os mesmos cuidados de fotossensibilização exigidos pelo PUVA.

O problema: encontrar fototerapia

Apesar de ser uma excelente opção, a grande dificuldade prática é encontrar serviços com fototerapia disponíveis. Em muitas regiões, inclusive fora dos grandes centros, o acesso é limitado. Além disso, o paciente precisa comparecer várias vezes por semana, o que pode dificultar a adesão para quem mora longe, trabalha em horário comercial ou depende de transporte.

Por isso, quando a fototerapia não está disponível ou não é viável, o dermatologista pode considerar tratamentos sistêmicos, como metotrexato, acitretina, ciclosporina ou imunobiológicos, conforme a gravidade e os critérios de acesso.

Metotrexato para psoríase

O metotrexato é um dos medicamentos sistêmicos mais clássicos para psoríase moderada a grave. Ele tem longa experiência de uso na dermatologia e pode tratar psoríase cutânea, ungueal e, em alguns contextos, doença articular, embora artrite psoriásica tenha protocolo específico.

O PCDT coloca o metotrexato como primeira linha sistêmica nos casos moderados a graves quando a fototerapia não está disponível, não é suficiente ou não é adequada. No documento de Santa Catarina, o metotrexato aparece como primeira etapa e primeira linha no tratamento sistêmico da psoríase moderada ou grave.

Como é usado

O metotrexato costuma ser usado uma vez por semana, por via oral ou injetável, conforme tolerância, resposta e decisão médica. O PCDT descreve dose inicial de 15 mg por semana, com possibilidade de aumento gradual até 25 mg por semana, além da necessidade de suplementação com ácido fólico para reduzir efeitos adversos.

Cuidados e exames

O metotrexato exige exames antes e durante o tratamento. O documento de Santa Catarina solicita exames como TGO, TGP, fosfatase alcalina, gama-GT, colesterol e frações, triglicerídeos, urina, albumina, ureia, creatinina e hemograma com plaquetas. Também exige sorologias, investigação de tuberculose com PPD ou IGRA e raio X de tórax.

Esse cuidado não é burocracia desnecessária. Ele protege o paciente contra riscos hematológicos, hepáticos, renais e infecciosos. Além disso, mulheres em idade fértil precisam de avaliação específica, porque o metotrexato é contraindicado na gestação.

Acitretina para psoríase palmoplantar, pustulosa e placas espessas

A acitretina é um retinoide oral, derivado da vitamina A, muito útil em alguns padrões específicos de psoríase. Ela não é imunobiológico e não age da mesma forma que o metotrexato. Em geral, pode ser especialmente interessante para psoríase palmoplantar, pustulosa, eritrodérmica e placas muito espessas, conforme o perfil do paciente.

O PCDT descreve que a acitretina pode ser usada em todos os tipos de psoríase, mas apresenta melhores resultados nas formas pustulosas localizadas e generalizadas e na forma eritrodérmica. Também destaca que, por não ser imunossupressora, pode ser uma opção em pacientes selecionados.

Papel na psoríase palmoplantar

A psoríase palmoplantar pode causar dor, fissuras, dificuldade para caminhar, trabalhar com as mãos e realizar atividades simples. Em alguns pacientes, a acitretina ajuda a reduzir espessamento e descamação. Além disso, ela pode ser associada à fototerapia em situações específicas, quando o serviço está disponível.

Cuidados importantes

A acitretina exige controle de colesterol, triglicerídeos, função hepática e outros exames. Ela é altamente teratogênica e não deve ser usada na gestação ou lactação. Mulheres em idade fértil precisam de orientação rigorosa, termo específico e controle conforme normas sanitárias. O resumo de Santa Catarina exige receituário de controle especial para retinoides, termo de conhecimento de risco e consentimento pós-informado, além de exames laboratoriais e beta-HCG para mulheres até 55 anos.

Ciclosporina: tratamento de resgate

A ciclosporina é um imunossupressor de ação rápida. Ela pode ser muito útil em situações de resgate, quando a psoríase está muito ativa, extensa, inflamada ou causando grande sofrimento. No entanto, geralmente não é a melhor opção para uso prolongado.

O PCDT descreve a ciclosporina como medicamento altamente eficaz e de rápida ação, com melhora observada em geral dentro de quatro semanas. Porém, também alerta que o uso prolongado na psoríase aumenta riscos, especialmente nefrotoxicidade.

Por que é usada como resgate?

Em casos de crise importante, a ciclosporina pode controlar a doença mais rapidamente do que outros medicamentos. Depois que o paciente melhora, o dermatologista pode reduzir gradualmente e migrar para uma estratégia mais segura de manutenção.

O próprio PCDT afirma que a ciclosporina pode ser considerada tratamento de resgate, mais do que uma escolha de longo prazo, e recomenda uso pelo menor tempo necessário para obter remissão, com limite máximo recomendável de dois anos.

Monitoramento

A ciclosporina exige controle de pressão arterial, creatinina, ureia, potássio, urina, perfil lipídico e outros exames. Além disso, não deve ser associada à fototerapia, devido ao risco de câncer de pele. O resumo de Santa Catarina também descreve controle frequente de ureia, creatinina e potássio nos primeiros meses, além de monitoramentos periódicos.

Imunobiológicos para psoríase

Os imunobiológicos para psoríase mudaram profundamente o tratamento dos casos moderados a graves. Eles atuam em alvos específicos da inflamação, como TNF-alfa, IL-17, IL-12/23 e IL-23. Em muitos pacientes, conseguem controlar a pele de forma muito superior aos tratamentos antigos.

O PCDT informa que os biológicos são opção adequada quando o paciente não respondeu, apresentou toxicidade ou tem contraindicação aos medicamentos sintéticos. O protocolo inclui adalimumabe, etanercepte, ustequinumabe, secuquinumabe e risanquizumabe, com classes anti-TNF, anti-IL-12/23, anti-IL-17 e anti-IL-23.

Pelo SUS em Santa Catarina

Conforme os documentos anexados de Santa Catarina, o fluxo do CEAF/SC contempla tratamentos tópicos, sistêmicos e imunobiológicos. Para psoríase leve, aparecem opções como calcipotriol e clobetasol. Para psoríase moderada a grave, o formulário médico organiza o tratamento sistêmico em etapas: metotrexato como primeira linha, acitretina como segunda linha, ciclosporina como terceira linha, depois adalimumabe ou etanercepte em contexto pediátrico, e, em seguida, secuquinumabe, ustequinumabe ou risanquizumabe.

O resumo de Santa Catarina também detalha anexos obrigatórios para imunobiológicos, como formulário médico, termo de consentimento, exames laboratoriais, sorologias, beta-HCG quando aplicável, PPD ou IGRA, raio X de tórax, além de reavaliação após seis meses e documentação para troca entre biológicos.

Pelo plano de saúde

Nos planos de saúde, o Rol de Procedimentos da ANS define coberturas obrigatórias para contratos regulados. Conforme a lista informada, pacientes com psoríase passam a ter cobertura obrigatória para diferentes medicamentos, incluindo adalimumabe, bimequizumabe, brodalumabe, etanercepte, guselcumabe, infliximabe, ixequizumabe, secuquinumabe, tildrakizumabe, ustequinumabe, risanquizumabe e certolizumabe pegol, conforme critérios de cobertura, indicação médica e segmentação do contrato.

Na prática, isso amplia o acesso a medicamentos modernos para pacientes que têm plano de saúde. Mesmo assim, o dermatologista precisa documentar diagnóstico, gravidade, tratamentos prévios, falhas, contraindicações, exames de segurança e justificativa técnica.

Principais classes disponíveis

Os anti-TNF incluem medicamentos como adalimumabe, etanercepte, infliximabe e certolizumabe pegol. Os anti-IL-17 incluem secuquinumabe, ixequizumabe, brodalumabe e bimequizumabe. Os anti-IL-23 incluem risanquizumabe, guselcumabe e tildrakizumabe. O ustequinumabe bloqueia IL-12/23.

A revisão de 2024 sobre avanços terapêuticos em psoríase descreve várias classes de biológicos aprovadas, incluindo inibidores de TNF-alfa, IL-17, IL-12/23 e IL-23. O artigo também destaca que os biológicos revolucionaram o tratamento por oferecerem melhora importante do controle da doença e da qualidade de vida, com perfis de segurança aceitáveis.

Tratamentos futuros: pequenas moléculas orais

Além dos biológicos injetáveis, a medicina avança para medicamentos orais modernos, chamados de pequenas moléculas. Esses tratamentos buscam bloquear vias específicas da inflamação com comprimidos, o que pode facilitar a adesão para alguns pacientes.

A revisão de 2024 descreve o crescimento das pequenas moléculas orais, especialmente inibidores de JAK, TYK2, PDE4, RORγt e outros alvos em investigação. O artigo destaca o deucravacitinibe, inibidor seletivo de TYK2 aprovado pelo FDA em 2022, e comenta que ensaios clínicos mostraram resposta terapêutica significativa após 16 semanas de uso oral diário.

Também existem estudos com apremilaste, inibidores de JAK, agonistas de receptor de adenosina A3, inibidores de ROCK2 e outras moléculas. No entanto, disponibilidade, aprovação regulatória, custo, indicação e segurança variam conforme o país e o momento. Portanto, esses tratamentos representam um campo promissor, mas ainda precisam de avaliação individual e acompanhamento médico.

Como escolher o melhor tratamento para psoríase?

A escolha depende de vários fatores. O dermatologista considera extensão da pele acometida, localização das lesões, coceira, dor, impacto no trabalho, sono, vida social, presença de artrite, doenças associadas, risco de infecção, idade, gestação, desejo reprodutivo, exames laboratoriais, histórico de câncer de pele, uso de outras medicações e acesso pelo SUS ou plano de saúde.

Além disso, o tratamento precisa ser monitorado. O PCDT recomenda avaliações objetivas com PASI, BSA ou DLQI antes e durante o tratamento, especialmente nos medicamentos sistêmicos e biológicos. Também orienta reavaliação da resposta para decidir manutenção, troca ou suspensão.

Psoríase na Dermacenter Alto Vale

A Dermacenter Alto Vale disponibiliza atendimento especializado para psoríase em Rio do Sul e região. A equipe avalia casos leves, moderados e graves, incluindo psoríase no couro cabeludo, unhas, palmas, plantas, dobras, rosto e formas extensas.

O acompanhamento especializado ajuda a confirmar o diagnóstico, calcular gravidade, solicitar exames, orientar tratamento tópico, avaliar indicação de metotrexato, acitretina, ciclosporina, fototerapia quando disponível, imunobiológicos pelo SUS ou plano de saúde, e terapias futuras conforme disponibilidade e segurança.

A psoríase tem tratamento. O caminho correto começa com diagnóstico, documentação adequada e escolha responsável da terapia.

Perguntas frequentes sobre como tratar a psoríase

1. Qual é o melhor tratamento para psoríase?

O melhor tratamento depende da gravidade, localização, impacto na qualidade de vida, presença de artrite, exames e tratamentos prévios. Pode incluir pomadas, fototerapia, metotrexato, acitretina, ciclosporina ou imunobiológicos.

2. Metotrexato funciona para psoríase?

Sim. O metotrexato é uma opção clássica para psoríase moderada a grave. Ele exige exames e acompanhamento médico, porque pode afetar fígado, sangue, rins e tem contraindicações importantes.

3. Fototerapia ajuda na psoríase?

Sim. A fototerapia pode ajudar muito, especialmente na psoríase moderada a grave ou em áreas difíceis. O maior problema é o acesso, já que nem todas as cidades têm serviço disponível.

4. Imunobiológico cura psoríase?

Imunobiológicos não significam cura definitiva, mas podem controlar muito bem a doença em muitos pacientes. O objetivo é reduzir placas, coceira, descamação e impacto na qualidade de vida.

5. Psoríase tem tratamento pelo SUS?

Sim. O SUS possui protocolo para psoríase, incluindo tratamentos tópicos, sistêmicos e alguns imunobiológicos, conforme critérios de gravidade, exames e documentação médica.

Agende sua avaliação

Se você quer entender como tratar a psoríase, agende uma avaliação na Dermacenter Alto Vale.

A clínica conta com dermatologistas capacitados para avaliar a gravidade da doença, orientar exames, documentar critérios para tratamentos pelo SUS ou plano de saúde e definir uma estratégia com ética, segurança e base científica.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica individualizada.

Texto escrito e revisado por Dr. Timotio Dorn — CREMESC 22594 | RQE 13225
Dermacenter Alto Vale
Responsável técnico: Dr. Timotio Dorn — CREMESC 22594 | RQE 13225

Referências bibliográficas

Ministério da Saúde. Portaria Conjunta nº 18, de 14 de outubro de 2021. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Psoríase.

DIAF/SAS/SES/SC. Resumo Psoríase — Portaria Conjunta SAS/SCTIE/MS nº 18 — Set 2025.

DIAF/SAS/SES/SC. Formulário médico para solicitação de medicamentos por meio do CEAF/SC para tratamento de psoríase — Set 2025.

Ferrara F, Verduci C, Laconi E, et al. Therapeutic Advances in Psoriasis: From Biologics to Emerging Oral Small Molecules. Antibodies. 2024;13(3):76.