Cicatriz de retirada de pinta no rosto: como fica depois da cirurgia?

Cicatriz de retirada de pinta no rosto: como fica depois da cirurgia?

A cicatriz de retirada de pinta no rosto é uma das principais preocupações de quem pensa em remover um nevo por motivo estético. Muitas pintas incomodam porque são elevadas, possuem uma cor diferente, alteram a textura da pele ou apresentam pelos crescendo em seu interior.

Sim, essas pintas podem ser removidas. E, quando a lesão é pequena, a cirurgia costuma ser um procedimento relativamente simples, realizado na própria clínica com anestesia local.

É importante, porém, entender uma coisa desde o início: retirar uma pinta significa substituir aquela lesão por uma cicatriz. O objetivo da cirurgia é planejar essa cicatriz para que, com o passar do tempo, ela se torne o mais discreta possível.

Por que algumas pessoas querem retirar uma pinta do rosto?

Nem toda pinta precisa ser retirada.

Muitos nevos são benignos e podem permanecer na pele durante toda a vida sem causar qualquer problema.

Mesmo assim, algumas pessoas se incomodam bastante com determinadas lesões.

Pinta elevada no rosto

Uma pinta elevada pode chamar atenção pela diferença de textura em relação ao restante da pele.

Dependendo da localização, também pode sofrer atrito ao barbear, maquiar, secar o rosto ou usar óculos.

Quando é um nevo benigno e a pessoa deseja removê-lo, podemos avaliar qual técnica oferece o melhor equilíbrio entre remoção e cicatriz.

Pinta com pelo

Também é bastante comum o paciente procurar o dermatologista porque possui uma pinta no rosto da qual crescem pelos grossos ou escuros.

Os pelos podem ser cortados ou aparados, mas algumas pessoas preferem retirar a lesão inteira.

Nesses casos, a profundidade do nevo é importante na escolha da técnica. Remoções muito superficiais podem deixar células do nevo nas camadas mais profundas da pele e permitir que parte da lesão reapareça.

Em uma série de nevos faciais tratados por shaving, as lesões com pelos apresentaram maior recorrência do que as demais.

Pinta que incomoda pela cor

Outras pessoas simplesmente não gostam da diferença de cor entre o nevo e o restante do rosto.

A possibilidade de remoção existe, mas antes de pensar na cicatriz é necessário confirmar qual é o tipo de lesão.

Uma pinta que mudou recentemente de tamanho, formato, cores ou comportamento precisa ser avaliada do ponto de vista médico antes de qualquer decisão puramente estética.

Toda retirada de pinta no rosto deixa cicatriz?

Sim.

Sempre que removemos uma lesão atravessando a derme, o organismo precisa reparar aquele local e produz uma cicatriz.

A pergunta mais útil, portanto, não é se haverá cicatriz, mas como essa cicatriz será planejada e como tende a evoluir ao longo do tempo.

No rosto, pequenas incisões bem posicionadas frequentemente evoluem de maneira bastante favorável.

O resultado depende do tamanho da pinta, localização, técnica escolhida, tensão sobre a ferida, características individuais de cicatrização e cuidados pós-operatórios.

A cicatriz pode ser maior que a pinta?

Pode.

Isso costuma causar surpresa quando explicamos a cirurgia.

Para retirar completamente determinadas pintas e conseguir fechar a pele de maneira adequada, muitas vezes transformamos a região em uma pequena incisão alongada.

Se simplesmente retirássemos um círculo e aproximássemos suas bordas, poderiam surgir dobras nas extremidades.

Por isso, o desenho cirúrgico frequentemente é um pouco maior que o diâmetro original da pinta.

O que buscamos é trocar uma lesão arredondada e visível por uma linha fina posicionada de maneira favorável no rosto.

Como escolhemos a direção da cicatriz no rosto?

A posição da incisão é uma parte muito importante da cirurgia.

Sempre que possível, procuro orientar a cicatriz acompanhando linhas, sulcos e dobras naturais da face.

Essas linhas já fazem parte da anatomia normal do rosto.

Quando conseguimos posicionar uma cicatriz paralelamente a elas, existe maior possibilidade de ela se integrar visualmente às linhas naturais com o passar do tempo.

O planejamento muda conforme a localização.

Uma pinta na testa, bochecha, nariz, queixo ou região próxima aos olhos não deve necessariamente receber o mesmo desenho cirúrgico.

O tamanho da lesão também interfere. Pintas pequenas geralmente permitem procedimentos mais simples, enquanto lesões maiores exigem um planejamento mais cuidadoso.

Como é feita a retirada de uma pinta no rosto?

Na maioria dos casos pequenos, o procedimento pode ser feito na própria clínica, com anestesia local.

O paciente permanece acordado durante todo o procedimento.

Primeiro avaliamos a pinta

Antes da cirurgia, examino a lesão e avalio se sua aparência é compatível com um nevo benigno ou se existe alguma característica que exige investigação específica.

Isso é especialmente importante porque uma lesão pigmentada não deve ser removida pensando apenas na estética quando existe dúvida diagnóstica.

Depois planejamos a cicatriz

Com o paciente ainda sentado, é possível observar as linhas naturais da face e escolher a direção mais favorável para a incisão.

Depois fazemos a marcação da área que será retirada.

A anestesia é local

Aplicamos anestésico somente ao redor da pinta.

A picada inicial pode causar um pequeno desconforto, mas depois a região fica anestesiada para a realização do procedimento.

A pinta é retirada

A lesão é removida conforme o planejamento previamente realizado.

Dependendo das características do nevo, a peça retirada pode ser encaminhada para exame anatomopatológico.

Depois começa uma etapa que considero especialmente importante para o resultado estético: o fechamento da pele.

Como são feitos os pontos para retirar uma pinta do rosto?

No rosto, pequenos detalhes na sutura podem fazer diferença na aparência posterior da cicatriz.

Na minha prática, frequentemente utilizo duas camadas de pontos.

Pontos internos com Monocryl 5-0

Primeiro realizo pontos internos com fio absorvível, geralmente Monocryl 5-0.

Esses pontos aproximam os tecidos abaixo da superfície e ajudam a distribuir a tensão da ferida.

Como são absorvíveis, não precisam ser retirados posteriormente.

Pontos externos com Prolene 6-0

Na superfície, costumo utilizar Prolene 6-0, um fio bastante delicado.

O objetivo é aproximar precisamente as bordas sem exercer força excessiva sobre a pele.

Essa atenção também ajuda a reduzir aquelas pequenas marcas laterais deixadas pelos pontos, que algumas pessoas descrevem como aspecto de “espinha de peixe” ou “trilho de trem”.

Quando os pontos são retirados?

No rosto, costumo retirar os pontos externos aproximadamente entre 7 e 10 dias após a cirurgia, dependendo da localização, tamanho da incisão e evolução individual.

O momento da retirada é definido durante o acompanhamento.

Como fica a cicatriz nos primeiros dias?

Nos primeiros dias, a cicatriz não se parece em nada com o resultado final.

Ela pode estar inchada, avermelhada e com os pontos bastante visíveis.

Isso é esperado.

Depois da retirada dos fios, a linha cirúrgica ainda permanece evidente.

Muitas pessoas ficam preocupadas porque esperavam que a cicatriz estivesse praticamente invisível depois de uma ou duas semanas.

A cicatrização não funciona dessa maneira.

É normal a cicatriz ficar vermelha depois da retirada da pinta?

Sim.

A cicatriz pode permanecer rosada ou avermelhada por mais de 30 dias e isso, isoladamente, não significa que exista algum problema.

Uma cicatriz recente possui atividade vascular aumentada enquanto o organismo reorganiza o tecido.

Com o passar do tempo, essa vermelhidão tende a diminuir.

Algumas cicatrizes clareiam rapidamente. Outras permanecem rosadas durante vários meses.

Por isso, não costumo avaliar o resultado definitivo de uma retirada de pinta apenas algumas semanas depois da cirurgia.

Quanto tempo leva para a cicatriz de retirada de pinta melhorar?

A melhora acontece gradualmente.

Nos primeiros dias, temos uma incisão cirúrgica evidente.

Nas semanas seguintes, a ferida ganha resistência e a cicatriz pode permanecer avermelhada.

Nos meses posteriores, ocorre um processo contínuo de remodelação.

A linha tende a ficar mais clara, macia e menos perceptível.

É bastante comum que uma cicatriz que chama atenção com 30 dias esteja muito mais discreta aos seis meses.

E ela pode continuar amadurecendo depois disso.

Quanto mais tempo passa, mais justa se torna a avaliação do resultado da cicatriz.

A cicatriz da retirada de pinta some completamente?

Não é adequado prometer que uma cicatriz desaparecerá completamente.

Toda cirurgia que atravessa a derme deixa algum grau de cicatriz.

O objetivo é que ela se torne fina, plana e pouco perceptível.

Em pintas pequenas do rosto, bem selecionadas e com fechamento cuidadoso, podemos obter cicatrizes bastante discretas com o passar do tempo.

Mas cada pessoa cicatriza de uma maneira.

Também existem pacientes com maior tendência a cicatrizes alargadas, elevadas, deprimidas ou pigmentadas.

Retirar com pontos ou fazer shaving: qual deixa menos cicatriz?

Existem diferentes maneiras de remover determinados nevos.

Uma delas é a excisão completa seguida de sutura. Outra é o shaving, em que a parte elevada da lesão é removida de maneira mais superficial.

As duas técnicas possuem vantagens e limitações.

Shaving

O shaving pode produzir uma ferida menor e evitar uma cicatriz linear com pontos.

Entretanto, como a remoção é mais superficial, podem permanecer células do nevo em profundidade.

Isso aumenta a possibilidade de a pinta voltar.

Em um estudo comparando shaving e excisão elíptica de nevos intradérmicos, as recorrências ocorreram apenas após o shaving. Por outro lado, as cicatrizes lineares foram maiores após excisão completa e sutura.

Em nevos faciais tratados por shaving, também já foi observada recorrência mais frequente em lesões que apresentavam pelos.

Excisão com pontos

A excisão permite remover a lesão em maior profundidade e produzir uma peça adequada para avaliação histológica.

Em compensação, deixa uma cicatriz linear.

Por isso, não existe uma técnica que seja automaticamente melhor para todas as pintas.

Precisamos analisar profundidade, tamanho, localização e objetivo do paciente.

O que fazer depois de retirar os pontos?

Depois que a ferida está adequadamente fechada, começa uma segunda fase dos cuidados com a cicatriz.

Na minha rotina, duas medidas são particularmente simples.

Gel de silicone

Depois da retirada dos pontos e com a pele já fechada, costumo orientar gel de silicone sobre a cicatriz todas as noites.

O silicone tópico é uma das opções não invasivas utilizadas para auxiliar na prevenção e no tratamento de cicatrizes pós-operatórias anormais. Estudos clínicos demonstraram melhora de características como espessura e coloração em cicatrizes cirúrgicas recentes.

Protetor solar

Durante o dia, recomendo protetor solar todas as manhãs.

No rosto isso é especialmente simples de incorporar à rotina, porque a região fica exposta diariamente.

O objetivo é proteger uma cicatriz que ainda está passando pelo processo de amadurecimento.

Posso retirar uma pinta apenas porque não gosto dela?

Sim, em determinadas situações.

Uma pinta pode ser completamente benigna e, ainda assim, incomodar bastante o paciente.

Pode ser pelo tamanho, relevo, cor, localização ou pelos que crescem no seu interior.

Depois de confirmar que se trata de uma lesão adequada para remoção, podemos discutir os benefícios e as limitações do procedimento.

O ponto principal é alinhar expectativas.

Se a pinta é minúscula e quase imperceptível, talvez uma cicatriz linear não represente uma troca interessante.

Se é uma lesão elevada, frequentemente traumatizada ou bastante incômoda para o paciente, a relação pode ser completamente diferente.

E se a pinta tiver mudado recentemente?

Nesse caso, a prioridade deixa de ser simplesmente estética.

Pintas que apresentam mudanças recentes de tamanho, formato, cor ou outros sinais suspeitos precisam ser examinadas antes da retirada.

Dependendo do caso, podemos utilizar dermatoscopia e indicar uma técnica que permita avaliação adequada pelo patologista.

Uma lesão suspeita não deve ser tratada apenas com o objetivo de “não deixar cicatriz”.

O diagnóstico correto vem primeiro.

Quando a cicatriz de retirada de pinta merece ser reavaliada?

A maioria das cicatrizes passa por mudanças naturais durante meses.

Entretanto, vale reavaliar quando ela começa a ficar progressivamente elevada, muito endurecida, dolorosa, alarga de maneira importante ou apresenta outras alterações inesperadas.

Também existem tratamentos complementares que podem ser utilizados em situações selecionadas.

O mais importante é não tentar julgar o resultado final precocemente.

Uma cicatriz com apenas um mês ainda é uma cicatriz muito jovem.

Perguntas frequentes sobre cicatriz de retirada de pinta no rosto

Tirar pinta do rosto deixa cicatriz?

Sim. Qualquer procedimento que retire uma lesão atravessando a derme produz uma cicatriz. Em pintas pequenas, o planejamento da incisão, sutura delicada e cuidados posteriores podem fazer com que essa cicatriz se torne bastante discreta ao longo dos meses.

Quanto tempo a cicatriz fica vermelha?

Pode permanecer avermelhada por mais de 30 dias e, em algumas pessoas, por alguns meses. A cor tende a mudar progressivamente durante o amadurecimento da cicatriz.

A cicatriz pode ficar maior que a pinta?

Sim. Em uma excisão cirúrgica, frequentemente é necessário produzir uma pequena incisão alongada para permitir fechamento adequado da pele. Por isso, o comprimento da linha final pode ser maior que o diâmetro original da pinta.

Pinta com pelo pode ser retirada?

Sim. A presença de pelos pode ser justamente uma das razões estéticas que levam o paciente a procurar a remoção. A profundidade da lesão precisa ser considerada, pois procedimentos muito superficiais apresentam maior possibilidade de recorrência.

A pinta pode voltar depois de retirada?

Pode, principalmente quando é realizada uma remoção superficial e permanecem células do nevo na pele. Um ensaio clínico encontrou recorrência após shaving, enquanto não houve recorrência no grupo submetido à excisão elíptica durante o período estudado.

Quantos dias ficam os pontos no rosto?

Na minha prática, geralmente retiro os pontos externos entre 7 e 10 dias após o procedimento. O prazo pode mudar conforme localização, tamanho da cirurgia e evolução da ferida.

O que usar depois da retirada dos pontos?

Quando a ferida está completamente fechada, costumo orientar gel de silicone à noite e proteção solar pela manhã. O cuidado é individualizado conforme a evolução da cicatriz.

É melhor retirar a pinta com laser ou cirurgia?

Depende primeiro do diagnóstico. Para um nevo melanocítico, é importante considerar profundidade, necessidade de avaliação anatomopatológica, possibilidade de recorrência e resultado esperado. A técnica deve ser escolhida depois de examinar a lesão, e não apenas com base no método que parece produzir uma marca menor.

Avaliação para retirada de pinta no rosto

Se uma pinta do rosto incomoda pelo relevo, cor, localização ou presença de pelos, é possível avaliar sua remoção.

Antes de decidir pela cirurgia, observo o tipo de lesão, tamanho, profundidade, localização e qual cicatriz provavelmente será necessária para retirá-la.

Em lesões pequenas, a cirurgia costuma ser realizada na clínica, com anestesia local, e a recuperação inicial é relativamente rápida.

O mais importante é entender que o resultado não deve ser julgado na primeira semana ou no primeiro mês. A cicatriz continua melhorando e amadurecendo durante muitos meses.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui uma consulta médica individualizada. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos após avaliação adequada de cada paciente.

Responsável técnico:
Dr. Timotio Dorn
Dermatologista — CREMESC 22594 | RQE 13225
Dermacenter Alto Vale

Referências

CAMINI, L. et al. Shave Excision Versus Elliptical Excision of Nonpigmented Intradermal Melanocytic Nevi: Comparative Assessment of Recurrence and Cosmetic Outcomes. Dermatologic Surgery. 2021.

BONG, J. L.; PERKINS, W. Shave excision of benign facial melanocytic naevi: a patient’s satisfaction survey. Dermatologic Surgery. 2003.

CHITTORIA, R. K.; PADI, T. R. A prospective, randomized, placebo-controlled, double-blind study of silicone gel in prevention of hypertrophic scar development. Dados sobre o uso de silicone em cicatrizes cirúrgicas recentes.