Micose nas unhas: quando suspeitar, quais exames fazer e como tratar

Micose nas unhas: quando suspeitar, quais exames fazer e como tratar

micose nas unhas, chamada pelos médicos de onicomicose, acontece quando fungos infectam a unha e provocam alterações como cor amarelada ou esbranquiçada, espessamento, descolamento, fragilidade e acúmulo de material por baixo da unha. Ela aparece com mais frequência nas unhas dos pés, especialmente no dedão, mas também pode atingir as mãos.

A primeira mensagem importante é esta: nem toda unha grossa, amarela ou descolada é micose. Trauma repetido pelo calçado, psoríase, dermatite, alterações pela idade, problemas de circulação, verrugas, tumores da unha e até melanoma subungueal podem imitar micose. Por isso, antes de iniciar um tratamento longo, principalmente com comprimidos antifúngicos, o dermatologista deve avaliar a unha e, quando necessário, confirmar o diagnóstico com exames.

A onicomicose é uma das doenças ungueais mais comuns na prática clínica e pode causar dor local, desconforto para calçar sapatos, dificuldade para cortar as unhas, constrangimento social e impacto na qualidade de vida. Os artigos de referência descrevem a onicomicose como infecção fúngica da unidade ungueal causada por dermatófitos, fungos não dermatófitos e leveduras. 

Imagem clínica ilustrativa de micose na unha do dedão do pé, com unha amarelada, espessada, quebradiça e com descolamento parcial.
A micose nas unhas pode deixar a unha amarelada, grossa, quebradiça e descolada. O diagnóstico correto é importante, porque trauma, psoríase e outras doenças também podem alterar as unhas.

Quando suspeitar de micose nas unhas?

A suspeita de micose nas unhas começa pela aparência, mas não termina nela. O dermatologista observa cor, espessura, padrão de descolamento, número de unhas acometidas, presença de micose nos pés, histórico de trauma, uso de calçados fechados, doenças associadas e tratamentos já usados.

Unha amarelada, esbranquiçada ou acastanhada

A micose pode deixar a unha branca, amarela, marrom ou opaca. Muitas vezes, a alteração começa na ponta ou na lateral da unha e vai avançando aos poucos em direção à base. Esse padrão costuma aparecer na forma mais comum da onicomicose, chamada onicomicose subungueal distal e lateral.

Nos artigos anexados, os autores descrevem que a apresentação mais comum envolve amarelamento, descolamento da unha e hiperqueratose subungueal, que é o acúmulo de material espesso por baixo da unha. 

Unha grossa, quebradiça ou esfarelando

Com a evolução, a unha pode engrossar, ficar difícil de cortar, esfarelar nas bordas e deformar. Em casos mais antigos ou intensos, a lâmina ungueal pode ficar bastante irregular, com aspecto destruído.

Esse espessamento incomoda porque aumenta a pressão dentro do calçado. Alguns pacientes sentem dor ao caminhar, dificuldade para usar sapatos fechados ou desconforto ao praticar atividade física.

Descolamento da unha

O descolamento da unha, chamado onicólise, também pode ocorrer na micose. A unha se separa parcialmente do leito ungueal, criando um espaço onde pode acumular queratina, umidade, resíduos e microrganismos.

Apesar de ser um achado comum, a onicólise não confirma micose sozinha. Psoríase, trauma, produtos químicos, manipulação excessiva, doenças da tireoide e outras condições também podem causar descolamento.

Por que nem toda unha alterada é fungo?

Esse é o ponto que diferencia um texto superficial de uma orientação realmente útil. Muitas pessoas procuram no Google “micose de unha” e começam a usar esmaltes, óleos, receitas caseiras ou comprimidos por conta própria. O problema é que várias doenças parecem micose.

Trauma do calçado pode imitar micose

Sapatos apertados, corrida, caminhada intensa, impacto repetido no dedão, deformidades nos dedos e alterações da pisada podem engrossar, descolar ou escurecer a unha. O trauma crônico é uma causa muito comum de unha alterada, especialmente no hálux.

Nesses casos, o paciente pode usar antifúngico por meses sem melhora, porque o problema principal não é fungo. A unha continua recebendo pressão e cresce deformada.

Psoríase pode alterar as unhas

A psoríase ungueal pode causar pequenos furinhos, manchas amareladas, descolamento, espessamento, fragilidade e acúmulo de material por baixo da unha. Ela pode parecer muito com micose.

Além disso, psoríase e micose podem coexistir. Uma pessoa com psoríase pode desenvolver fungo na unha, e uma unha previamente alterada por psoríase pode facilitar infecção secundária. Por isso, quando existe dúvida entre psoríase ungueal e onicomicose, o exame laboratorial ajuda muito.

Manchas escuras exigem atenção

Algumas micoses podem causar pigmentação escura, mas nem toda mancha preta ou marrom na unha é fungo. Faixas escuras que aumentam, pigmento que chega à pele ao redor da unha, sangramento, dor persistente, deformidade progressiva de uma única unha ou ferida que não melhora exigem avaliação dermatológica.

Os artigos de referência destacam que condições benignas e malignas podem imitar onicomicose, incluindo psoríase ungueal, líquen plano, verrugas, carcinoma espinocelular subungueal e melanoma subungueal. 

Quais exames posso fazer para confirmar micose nas unhas?

O diagnóstico pode começar no exame clínico, mas a confirmação laboratorial costuma ser importante, especialmente antes de tratamento oral. Os artigos anexados reforçam que a confirmação micológica ajuda a evitar diagnóstico incorreto, falhas terapêuticas, efeitos adversos desnecessários e interações medicamentosas. 

Exame micológico direto com KOH

O exame micológico direto é um dos exames mais usados. O dermatologista coleta material da unha, geralmente fragmentos da lâmina e resíduos abaixo dela. No laboratório, o material pode ser preparado com hidróxido de potássio, conhecido como KOH, para tentar visualizar estruturas fúngicas no microscópio.

Esse exame pode dar resultado mais rápido e ajuda a mostrar se há fungos no material. Porém, ele depende da qualidade da coleta, da experiência do laboratório e da área escolhida para retirada do material.

A coleta correta importa muito. Em muitos casos, o fungo está mais ativo em uma região específica da unha, e uma coleta superficial ou no ponto errado pode gerar falso negativo. Nos artigos, os autores explicam que, na forma distal e lateral, a amostra deve vir da área mais proximal do acometimento após remover a parte descolada distal. 

Cultura para fungos

A cultura tenta identificar qual fungo está causando a infecção e se ele está viável. Ela pode demorar algumas semanas, mas ajuda principalmente em casos recorrentes, resistentes, atípicos ou quando há suspeita de fungos não dermatófitos ou leveduras.

A cultura tem uma vantagem importante: pode identificar o agente. Mas também tem limitações, como demora no resultado e possibilidade de falso negativo. Por isso, muitas vezes o dermatologista combina métodos.

Histopatológico da unha com PAS e PCR

O exame histopatológico de fragmento de unha com colorações especiais, como PAS, pode ser muito útil para visualizar fungos dentro da queratina da unha. Os artigos de referência descrevem a histopatologia com PAS como método sensível para diagnosticar onicomicose, embora ela não identifique necessariamente a espécie do fungo. 

O PCR é uma técnica molecular que pode identificar DNA de fungos com maior rapidez em alguns laboratórios. Ele pode ser útil quando precisamos identificar melhor o agente ou quando outros exames não esclarecem o caso. A disponibilidade e o custo variam conforme a região e o laboratório.

Quanto tempo dura o tratamento da micose nas unhas?

O tratamento da micose nas unhas costuma ser longo porque a unha cresce devagar. Mesmo quando o antifúngico funciona, a parte alterada da unha não desaparece de um dia para o outro. Ela precisa crescer e ser substituída por unha nova.

A unha do pé demora muito para renovar

As unhas das mãos crescem mais rápido que as dos pés. Um dos artigos anexados orienta que os pacientes devem entender esse ritmo: unhas das mãos crescem cerca de 2 a 3 mm por mês, enquanto unhas dos pés crescem cerca de 1 a 2 mm por mês. 

Na prática, isso significa que uma unha do pé pode levar 9 a 12 meses, às vezes mais, para mostrar uma renovação estética completa. Por isso, o tratamento pode controlar o fungo antes de a unha parecer normal.

Tratamento tópico pode durar muitos meses

Quando a micose é leve, acomete pouca área da unha, não envolve a matriz e atinge poucas unhas, o dermatologista pode considerar tratamento tópico. Esmaltes ou soluções antifúngicas podem ser úteis em casos selecionados, especialmente quando o paciente não pode usar remédio oral.

O problema é que a unha é uma barreira dura. O medicamento tópico precisa penetrar na lâmina ungueal e atingir o fungo. Por isso, os tratamentos tópicos geralmente exigem uso prolongado e disciplina. Nos estudos revisados, tratamentos tópicos para unhas dos pés frequentemente precisam de cursos longos, como 48 semanas, dependendo da medicação. 

Tratamento oral costuma ser mais eficaz em casos moderados a graves

Quando a micose acomete várias unhas, envolve mais de metade da unha, causa muito espessamento, atinge a matriz ou não responde ao tratamento tópico, o dermatologista pode indicar antifúngico oral.

Os artigos anexados descrevem terbinafina e itraconazol como opções sistêmicas usadas no tratamento, com terbinafina frequentemente preferida por maior eficácia em dermatófitos e menor número de interações em comparação com itraconazol. A duração clássica da terbinafina é de 6 semanas para unhas das mãos e 12 semanas para unhas dos pés, mas a decisão deve ser individualizada. 

Os remédios para fungo prejudicam o fígado?

Essa é uma das perguntas mais importantes dos pacientes. A resposta honesta é: antifúngicos orais podem, raramente, alterar enzimas hepáticas ou causar problemas no fígado, mas isso não significa que todo paciente terá dano hepático. O risco depende do medicamento, da dose, do tempo de uso, das doenças prévias, do consumo de álcool, de outros remédios e do perfil individual.

Terbinafina exige avaliação médica

A terbinafina pode causar efeitos como dor de cabeça, sintomas gastrointestinais e rash. Alterações de enzimas hepáticas e alteração do paladar aparecem com menor frequência. Lesão hepática grave é rara, mas possível. Os artigos de referência citam que a FDA recomenda medir transaminases antes de iniciar terbinafina, enquanto a necessidade de monitoramento durante o tratamento deve ser individualizada conforme histórico e medicamentos do paciente. 

Na prática, isso significa que o médico deve avaliar o paciente antes de prescrever. Pessoas com doença hepática, uso de muitos medicamentos, histórico de hepatite, alcoolismo ou alterações laboratoriais exigem mais cuidado.

Itraconazol tem mais interações medicamentosas

O itraconazol pode ser útil em alguns casos, mas tem mais interações medicamentosas e exige atenção em pacientes com certas condições cardíacas. O artigo de tratamento destaca que o itraconazol tem interações importantes por inibir CYP3A4 e é contraindicado em pacientes com disfunção ventricular, incluindo insuficiência cardíaca congestiva. 

Por isso, não faz sentido “pegar o remédio de alguém” ou repetir uma receita antiga sem reavaliar. O antifúngico certo para uma pessoa pode não ser o mais seguro para outra.

Exames ajudam a usar com segurança

O dermatologista pode solicitar exames antes do tratamento e, em alguns casos, durante o acompanhamento. Isso não significa que o remédio seja proibido. Significa que o uso deve ser responsável.

O risco maior está na automedicação: tomar antifúngico sem confirmar diagnóstico, usar dose errada, misturar com outros medicamentos, ignorar contraindicações e abandonar o seguimento.

Posso arrancar a unha com micose?

Em geral, arrancar a unha não é a primeira solução para micose nas unhas. A remoção completa pode causar dor, ferida, risco de infecção, alteração permanente do crescimento da unha e não garante cura se o fungo continuar no leito, na pele dos pés ou em outras unhas.

Remover a unha não elimina automaticamente o fungo

Muitos pacientes imaginam que arrancar a unha resolve porque “tira a parte contaminada”. Mas a micose pode envolver a lâmina, o leito ungueal, o material subungueal e a pele ao redor. Se o ambiente continua favorável e o fungo permanece, a nova unha pode nascer alterada novamente.

Além disso, se a causa não for micose, arrancar a unha pode piorar um problema que precisava de outro tratamento.

Desbastamento pode ajudar em alguns casos

Em vez de arrancar a unha, o dermatologista pode indicar corte adequado, lixamento, desbastamento, remoção de excesso de queratina ou uso de substâncias que amolecem a unha em casos selecionados. Essas medidas podem reduzir espessura, aliviar desconforto e melhorar a penetração de tratamentos tópicos.

Nos artigos, os autores discutem que unhas espessas e distróficas podem precisar de medidas auxiliares e que agentes queratolíticos, como ureia, podem ajudar a amolecer a unha e aumentar a eficácia de terapias tópicas em alguns contextos. 

Cirurgia ou avulsão só em situações específicas

A remoção parcial ou total da unha pode ser considerada em situações específicas, como dor importante, unha muito deformada, dermatofitoma, falha terapêutica, necessidade diagnóstica ou suspeita de outra doença. Mesmo nesses casos, a decisão precisa ser individualizada e associada ao tratamento adequado.

O objetivo não é simplesmente “arrancar”. O objetivo é tratar a causa, preservar função e evitar recidiva.

Por que a micose nas unhas volta?

A micose pode voltar porque fungos gostam de ambiente quente, úmido e abafado. Calçados fechados, suor nos pés, frieira entre os dedos, meias úmidas, trauma repetido e contato com superfícies contaminadas aumentam o risco.

A frieira pode alimentar a micose da unha

A pele dos pés e as unhas conversam entre si. Quem tem frieira entre os dedos pode reinfectar as unhas. Quem tem unha com fungo pode manter fungos circulando nos pés.

Por isso, tratar apenas a unha e ignorar a pele dos pés pode levar à recorrência. O dermatologista deve examinar pés, espaços entre os dedos e todas as unhas.

Calçados e meias podem participar da reinfecção

Após tratar, o paciente deve reduzir umidade e calor. É importante alternar calçados, trocar meias diariamente, secar bem os pés após o banho, evitar permanecer com meia úmida e não compartilhar alicates, lixas, meias ou calçados.

Os artigos de tratamento citam estratégias de prevenção como tratar tinea pedis no paciente e familiares, manter os pés secos, evitar calçados oclusivos, usar chinelos em academias e piscinas, cortar unhas curtas, evitar trauma e tratar ou descartar calçados contaminados. 

A recorrência é comum

Mesmo com tratamento correto, a recorrência pode acontecer. Um dos artigos revisados cita taxa de recorrência ou reinfecção de 20% a 25% após tratamento. 

Esse dado ajuda o paciente a entender que a prevenção faz parte do tratamento. Não basta “matar o fungo” uma vez. É preciso reduzir o ambiente que favorece a volta.

Quando procurar um dermatologista?

Procure um dermatologista quando a unha fica grossa, amarela, esbranquiçada, quebradiça, descolada, dolorida, com mau cheiro, com acúmulo de material por baixo ou quando várias unhas começam a mudar. Também vale procurar avaliação se a alteração está em uma única unha e não melhora, se há mancha escura, sangramento, ferida, dor persistente ou deformidade progressiva.

Antes de tomar comprimido

Antifúngico oral pode ser muito útil, mas precisa de diagnóstico e avaliação de segurança. O dermatologista decide se o caso precisa de exame, qual medicamento faz sentido, quanto tempo usar e se há necessidade de exames laboratoriais.

Quando o tratamento não funciona

Se você usou esmalte, pomada, solução, comprimido ou receitas caseiras e a unha continua igual, talvez o problema seja diagnóstico incorreto, coleta inadequada, fungo diferente, baixa adesão, trauma persistente, psoríase ou outra doença associada.

Quando existe diabetes, má circulação ou imunossupressão

Pessoas com diabetes, má circulação, imunossupressão, idade avançada ou doenças crônicas devem ter mais cuidado. Uma unha grossa pode machucar a pele, favorecer feridas e dificultar o autocuidado dos pés.

Perguntas frequentes sobre micose nas unhas

1. Como saber se tenho micose nas unhas?

Suspeite de micose quando a unha fica amarela, branca, grossa, quebradiça, descolada ou com material acumulado por baixo. Mesmo assim, o diagnóstico deve ser confirmado pelo dermatologista, porque trauma, psoríase e outras doenças podem parecer micose.

2. Qual exame confirma micose de unha?

O dermatologista pode solicitar exame micológico direto com KOH, cultura para fungos, histopatológico da unha com PAS ou PCR. A escolha depende do aspecto da unha, tratamentos anteriores, disponibilidade do laboratório e necessidade de identificar o fungo.

3. Quanto tempo demora para curar micose nas unhas?

O fungo pode ser controlado antes de a unha parecer normal. As unhas dos pés crescem devagar, então a melhora estética pode levar muitos meses. Em geral, a unha do pé pode precisar de 9 a 12 meses ou mais para renovar visualmente.

4. Remédio para micose de unha faz mal para o fígado?

Antifúngicos orais podem alterar enzimas do fígado em alguns pacientes e raramente causar lesão hepática importante. Por isso, o médico deve avaliar histórico, medicamentos em uso e exames antes de prescrever. O problema maior é tomar por conta própria.

5. Posso arrancar a unha com micose?

Não é recomendado arrancar a unha por conta própria. A remoção não garante cura e pode causar dor, infecção e alteração permanente da unha. Em casos específicos, o dermatologista pode indicar desbastamento, procedimentos ou remoção parcial, sempre com avaliação.

Agende uma avaliação para micose nas unhas

Se você apresenta unha grossa, amarelada, quebradiça, descolada ou suspeita de micose nas unhas, agende uma avaliação com a equipe da Dermacenter Alto Vale. A consulta pode ser presencial ou online, conforme o caso e a necessidade de exame direto da unha.

Dermacenter Alto Vale conta com médicos dermatologistas especialistas, com residência médica e experiência no diagnóstico e tratamento de micose nas unhas, psoríase ungueal, alterações traumáticas e outras doenças das unhas.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica individualizada. O diagnóstico e o tratamento devem considerar cada caso, especialmente antes do uso de antifúngicos por via oral.

Dermacenter Alto Vale
Responsável técnico: Dr. Timotio Dorn — CREMESC 22594 | RQE 13225

Referências bibliográficas

Lipner SR, Scher RK. Onychomycosis: Clinical overview and diagnosisJournal of the American Academy of Dermatology. 2019;80:835-851. 

Lipner SR, Scher RK. Onychomycosis: Treatment and prevention of recurrenceJournal of the American Academy of Dermatology. 2019;80:853-867.