Tipos de melanoma maligno: quais são e como identificar
Os principais tipos de melanoma maligno são: melanoma superficial extensivo, melanoma nodular, lentigo maligno melanoma, melanoma acral lentiginoso, melanoma desmoplásico, melanoma spitzoide, melanoma nevoide, melanoma associado a nevo congênito e melanoma associado a nevo azul. Além desses, também existem melanomas em mucosas, como boca, nariz, região genital e anal, e melanomas em outros órgãos, como o melanoma uveal, que acomete o olho.
De forma simples, o melanoma é um câncer originado dos melanócitos, que são as células produtoras de pigmento. Ele aparece com mais frequência na pele, mas também pode surgir em locais menos visíveis, como mucosas, unhas, palmas, plantas dos pés e olhos.
Por isso, entender os tipos de melanoma ajuda o paciente a reconhecer sinais suspeitos e procurar atendimento cedo. O diagnóstico precoce é fundamental, porque melanomas iniciais têm maior chance de tratamento curativo, enquanto melanomas avançados podem atingir linfonodos e outros órgãos.
O que é melanoma maligno?
Melanoma maligno é um tipo de câncer que surge a partir dos melanócitos. Apesar de não ser o câncer de pele mais comum, ele é o câncer de pele com maior potencial de gravidade, especialmente quando cresce em profundidade ou se espalha para linfonodos e órgãos internos.
Hoje, muitos médicos usam apenas o termo “melanoma”, porque por definição ele já é uma neoplasia maligna. Mesmo assim, a expressão “melanoma maligno” ainda é muito pesquisada pelos pacientes no Google e aparece em laudos, textos antigos e materiais educativos.
O melanoma pode começar como uma pinta nova, uma mancha escura, uma lesão que muda de cor, uma faixa escura na unha ou, em alguns casos, uma lesão rosada, avermelhada ou sem pigmento. Também pode surgir em áreas de mucosa ou no olho, onde muitas vezes é mais difícil de perceber.
Saiba mais sobre melanoma maligno: Melanoma: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento
Quais são os tipos de melanoma de pele?
Os tipos de melanoma de pele podem ser classificados de várias formas. Na prática clínica, os subtipos mais conhecidos são o melanoma superficial extensivo, o melanoma nodular, o lentigo maligno melanoma e o melanoma acral lentiginoso.
Classificações mais recentes, como a da Organização Mundial da Saúde, também consideram o grau de dano solar acumulado, características microscópicas, localização anatômica e alterações genéticas. Por isso, alguns textos médicos dividem o melanoma em subtipos tradicionais, enquanto outros falam em vias de desenvolvimento do melanoma.
Para o paciente, o mais importante é entender que nem todo melanoma parece igual. Alguns crescem lentamente na superfície da pele. Outros crescem rapidamente em profundidade. Alguns aparecem em áreas expostas ao sol. Outros surgem em regiões pouco expostas, como sola do pé, palma da mão, unha ou mucosas.
Melanoma superficial extensivo
O melanoma superficial extensivo é o tipo mais comum de melanoma cutâneo em muitos países ocidentais. Ele costuma crescer inicialmente de forma horizontal, espalhando-se pela superfície da pele antes de invadir camadas mais profundas.
Geralmente aparece como uma mancha ou placa pigmentada, com bordas irregulares e variação de cores. Pode ter tons de marrom, preto, vermelho, branco, azul ou cinza.
É mais comum no tronco, dorso e membros, mas pode aparecer em qualquer área da pele.
Como suspeitar?
O melanoma superficial extensivo costuma seguir a regra do ABCDE:
A de assimetria.
B de bordas irregulares.
C de cores variadas.
D de diâmetro aumentado ou crescimento.
E de evolução, ou seja, mudança ao longo do tempo.
Uma pinta que muda de cor, cresce, fica irregular ou se destaca das demais deve ser avaliada por dermatologista.
Saiba mais sobre a regra do ABCDE: Regra ABCDE do melanoma: como avaliar uma pinta suspeita?
Melanoma nodular
O melanoma nodular é um dos tipos mais importantes porque tende a crescer mais rapidamente em profundidade. Ele pode surgir como um nódulo elevado, firme, escuro, azulado, avermelhado, rosado ou até da cor da pele.
Esse subtipo pode não seguir bem a regra clássica do ABCDE. Em vez de começar como uma mancha irregular que cresce lentamente, ele pode aparecer como uma “bolinha” ou nódulo novo, com crescimento rápido.
Por que é perigoso?
O melanoma nodular pode atingir maior profundidade em menos tempo. A profundidade do melanoma, chamada de espessura de Breslow, é um dos principais fatores relacionados ao risco de metástase e ao prognóstico.
Por isso, uma lesão nova, elevada, que cresce rápido, sangra, ulcera ou muda em poucas semanas deve ser avaliada com urgência.
Pode ser sem cor?
Sim. Alguns melanomas nodulares são amelanóticos, ou seja, têm pouco ou nenhum pigmento. Nesses casos, podem parecer uma lesão rosada, avermelhada, inflamada, uma verruga, um granuloma piogênico ou até uma ferida.
Essa é uma das razões pelas quais fotos da internet não substituem a avaliação médica.
Lentigo maligno melanoma
O lentigo maligno melanoma costuma surgir em áreas de dano solar crônico, especialmente na face, couro cabeludo, orelhas, pescoço, braços e dorso das mãos. É mais comum em pessoas mais velhas e em peles com histórico de muita exposição solar.
Antes de se tornar invasivo, pode existir como lentigo maligno, que é uma forma de melanoma in situ. Nessa fase, as células anormais estão restritas à camada mais superficial da pele.
Quando passa a invadir camadas mais profundas, recebe o nome de lentigo maligno melanoma.
Como costuma aparecer?
Pode parecer uma mancha marrom, acinzentada ou enegrecida, de crescimento lento, com bordas mal definidas e áreas de cores diferentes.
Na face, pode ser confundido com melasma, manchas solares, melanose solar ou outras manchas benignas. Por isso, manchas que crescem, escurecem, ficam assimétricas ou mudam devem ser examinadas com dermatoscopia.
Por que exige atenção especial?
Esse tipo de melanoma pode ter margens clínicas difíceis de definir. Muitas vezes, a mancha visível não mostra toda a extensão microscópica da lesão.
Por isso, o planejamento cirúrgico deve ser cuidadoso, especialmente em áreas nobres da face.
Melanoma acral lentiginoso
O melanoma acral lentiginoso aparece em áreas acras, como palmas das mãos, plantas dos pés, dedos e unhas. Ele não está diretamente relacionado à exposição solar da mesma forma que outros melanomas cutâneos.
Esse tipo é especialmente importante porque pode ser diagnosticado tardiamente. Muitas vezes, é confundido com machucado, calo, verruga, micose, hematoma ou trauma na unha.
Melanoma na unha
Quando ocorre na unha, pode aparecer como uma faixa escura longitudinal, pigmentação irregular, escurecimento progressivo, deformidade da unha, sangramento, ferida ou pigmento que se estende para a pele ao redor da unha.
Uma faixa escura nova em unha de adulto, principalmente quando aumenta, fica irregular ou acomete uma única unha, deve ser avaliada por dermatologista.
Melanoma na sola do pé
Na sola, pode parecer uma mancha escura irregular, uma ferida que não cicatriza, uma área endurecida ou uma lesão confundida com verruga plantar.
Como a planta do pé é uma região de atrito, o paciente pode achar que a lesão surgiu por trauma. No entanto, persistência, crescimento ou mudança de cor exigem avaliação.
Melanoma desmoplásico
O melanoma desmoplásico é um subtipo menos comum e mais difícil de reconhecer clinicamente. Ele costuma aparecer em áreas de exposição solar crônica, como cabeça e pescoço, principalmente em pessoas mais velhas.
Pode se apresentar como uma placa ou nódulo endurecido, pouco pigmentado, semelhante a uma cicatriz, dermatofibroma ou outra lesão aparentemente benigna.
Por que pode passar despercebido?
Muitos casos não têm a coloração escura típica que as pessoas associam ao melanoma. Além disso, pode parecer uma área endurecida ou uma cicatriz sem causa clara.
O diagnóstico muitas vezes depende de biópsia e análise histopatológica detalhada.
Relação com nervos
O melanoma desmoplásico pode ter maior associação com neurotropismo, ou seja, tendência de crescer ao redor de nervos. Quando há dor, dormência, choque, formigamento ou alteração de sensibilidade em uma lesão suspeita, a avaliação deve ser ainda mais cuidadosa.
Melanoma spitzoide
O melanoma spitzoide é um subtipo raro e pode ser difícil de diferenciar de lesões benignas chamadas nevos de Spitz, principalmente em crianças, adolescentes e adultos jovens.
Pode aparecer como pápula, nódulo ou placa, pigmentada ou não pigmentada. Em alguns casos, é rosado ou avermelhado.
Por que é difícil?
As lesões spitzoides podem ter características clínicas e microscópicas sobrepostas entre benignidade, incerteza e malignidade. Por isso, alguns casos exigem avaliação dermatopatológica especializada, imunohistoquímica ou testes moleculares.
Nem toda lesão spitzoide é melanoma. Porém, lesões que crescem, ulceram, sangram, ficam assimétricas ou apresentam características atípicas devem ser avaliadas.
Melanoma nevoide
O melanoma nevoide é raro e pode se parecer muito com um nevo benigno, ou seja, uma pinta comum. Essa semelhança pode atrasar o diagnóstico.
Pode surgir como uma pápula ou nódulo aparentemente regular, muitas vezes no tronco ou membros.
O que chama atenção?
Mesmo quando a aparência parece “comum”, sinais como crescimento, mudança, sangramento, sintomas, diferença em relação às outras pintas ou surgimento recente em adulto devem levantar suspeita.
Esse subtipo reforça uma ideia importante: nem sempre o melanoma parece “feio” ou claramente irregular. A evolução da lesão é uma pista fundamental.
Melanoma associado a nevo congênito
Alguns melanomas podem surgir em associação com nevos congênitos, especialmente nevos congênitos grandes ou gigantes. Nevo congênito é uma pinta presente desde o nascimento ou percebida muito cedo na infância.
O risco varia conforme o tamanho, características clínicas e extensão do nevo. Nevos congênitos pequenos têm risco muito menor do que nevos grandes ou gigantes.
Quando avaliar?
Mudança rápida em uma área do nevo, surgimento de nódulo, sangramento, dor, ulceração, endurecimento ou crescimento desproporcional deve ser investigado.
Pacientes com nevos congênitos extensos precisam de acompanhamento individualizado.
Melanoma associado a nevo azul
O nevo azul é uma pinta geralmente benigna, de coloração azulada, azul-acinzentada ou azul-escura, causada por pigmento localizado mais profundamente na pele.
Raramente, pode ocorrer melanoma associado a nevo azul. Esse tipo é incomum, mas importante por poder surgir como crescimento, nódulo ou mudança em uma lesão azulada pré-existente.
Sinais de alerta
Crescimento rápido, mudança de cor, dor, sangramento, ulceração ou surgimento de um nódulo dentro de uma lesão azulada devem motivar avaliação médica.
Melanoma mucoso
O melanoma mucoso não é um melanoma de pele, mas deve ser lembrado porque também surge de melanócitos. Ele pode ocorrer em mucosas da boca, nariz, seios da face, garganta, trato gastrointestinal, região anal, uretra, vagina e vulva.
É um tipo raro e geralmente mais difícil de diagnosticar cedo, porque muitas dessas áreas não são facilmente visíveis.
Como pode se manifestar?
Pode causar mancha escura, ferida que não cicatriza, sangramento, dor, nódulo, alteração de cor ou sintomas conforme a localização.
Na boca, pode aparecer como mancha pigmentada ou lesão ulcerada. Já na região nasal, pode causar sangramento ou obstrução. E região genital ou anal, pode ser confundido com outras doenças mais comuns.
Por que é importante?
Como costuma ser descoberto em fases mais avançadas, o melanoma mucoso exige investigação especializada. O tratamento pode envolver cirurgia, oncologia, radioterapia, imunoterapia ou terapias sistêmicas, conforme o caso.
Melanoma uveal e outros melanomas fora da pele
Além da pele e das mucosas, o melanoma também pode aparecer em outros locais com melanócitos.
O principal exemplo é o melanoma uveal, que acomete a úvea, camada interna do olho que inclui coroide, corpo ciliar e íris. É o tipo mais comum de melanoma ocular.
Também existe melanoma conjuntival, que acomete a conjuntiva, membrana que recobre a superfície do olho e a parte interna das pálpebras.
Sintomas possíveis no olho
Melanoma ocular pode causar visão borrada, manchas no campo visual, flashes de luz, alteração da pupila, mancha escura na íris ou perda parcial da visão. Em alguns casos, é encontrado em exame oftalmológico de rotina.
Outros locais raros
Melanomas podem surgir raramente em locais internos, como trato gastrointestinal, vias urinárias e outras mucosas. Esses casos exigem abordagem multidisciplinar.
Tipos de melanoma fotos: por que ter cuidado?




Muitas pessoas pesquisam “tipos de melanoma fotos” para comparar com uma pinta ou mancha da própria pele. Isso pode ajudar a entender sinais de alerta, mas também pode causar falsa segurança.
Um melanoma pode ser escuro, marrom, preto, azul, vermelho, rosado ou da cor da pele. Pode ser plano, elevado, nodular, ulcerado ou parecido com uma pinta comum.
Além disso, lesões benignas podem parecer assustadoras, enquanto melanomas iniciais podem parecer discretos.
Por isso, fotos ajudam na educação, mas não fecham diagnóstico. O diagnóstico depende de exame clínico, dermatoscopia e, quando indicado, biópsia.
Quando procurar dermatologista?
Procure dermatologista se você notar uma pinta nova, uma pinta que mudou, uma mancha escura irregular, uma lesão que sangra, uma ferida que não cicatriza, uma faixa escura na unha ou uma lesão diferente das demais.
Também procure avaliação se houver lesão que cresce rapidamente, coça, dói, ulcera ou apresenta várias cores.
A regra do ABCDE ajuda muito, mas não detecta todos os melanomas. Por isso, o sinal do “patinho feio” também é importante: uma pinta que parece diferente das outras merece atenção.
Como é feito o diagnóstico dos tipos de melanoma?
O diagnóstico começa com exame dermatológico completo. O dermatologista avalia a pele, as pintas, a história da lesão, fatores de risco e sintomas.
A dermatoscopia é uma ferramenta essencial, pois permite observar estruturas que não são vistas a olho nu.
Quando há suspeita, a confirmação é feita por biópsia ou remoção da lesão para exame anatomopatológico. O laudo pode informar subtipo, espessura de Breslow, ulceração, mitoses, margens, invasão linfovascular, regressão, neurotropismo e outros fatores importantes.
Essas informações ajudam a definir tratamento, necessidade de ampliação de margens, pesquisa de linfonodo sentinela, acompanhamento e encaminhamento oncológico quando necessário.
Tratamento dos diferentes tipos de melanoma
O tratamento depende do tipo de melanoma, espessura, localização, presença de ulceração, margens, linfonodos, metástases e condições clínicas do paciente.
Nos melanomas iniciais, o tratamento principal costuma ser cirúrgico, com retirada adequada da lesão e margens de segurança conforme a profundidade.
Em casos selecionados, pode ser necessária pesquisa de linfonodo sentinela. Em melanomas avançados, o tratamento pode envolver imunoterapia, terapia-alvo, radioterapia ou combinação de abordagens.
O subtipo do melanoma pode influenciar risco, prognóstico, alterações genéticas e opções de tratamento, mas a conduta sempre deve ser individualizada.
Perguntas frequentes sobre tipos de melanoma maligno
1. Quais são os principais tipos de melanoma maligno?
Os principais são melanoma superficial extensivo, nodular, lentigo maligno melanoma, acral lentiginoso, desmoplásico, spitzoide, nevoide, melanoma associado a nevo congênito, melanoma associado a nevo azul, melanoma mucoso e melanoma uveal.
2. Qual é o tipo de melanoma mais comum?
O melanoma superficial extensivo é considerado o subtipo cutâneo mais comum em muitos países ocidentais. Ele costuma começar como uma mancha irregular que cresce pela superfície da pele.
3. Qual é o tipo de melanoma mais perigoso?
O melanoma nodular é considerado um dos mais agressivos porque cresce em profundidade rapidamente. Porém, qualquer melanoma pode ser perigoso se diagnosticado tarde.
4. Melanoma sempre é escuro?
Não. Alguns melanomas são rosados, avermelhados ou da cor da pele. Esses são chamados de melanomas amelanóticos ou hipomelanóticos e podem ser mais difíceis de reconhecer.
5. Fotos ajudam a identificar melanoma?
Fotos podem ajudar na educação, mas não confirmam nem excluem melanoma. A avaliação com dermatologista, dermatoscopia e biópsia quando indicada é essencial.
Agende sua avaliação
Se você tem uma pinta, mancha, ferida, lesão na unha ou alteração na pele que mudou, cresceu, sangrou ou parece diferente das demais, agende uma avaliação dermatológica.
O diagnóstico precoce do melanoma pode mudar completamente o prognóstico.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação médica individualizada.
Texto escrito e revisado por Dr. Timotio Dorn — CREMESC 22594 | RQE 13225
Dermacenter Alto Vale
Responsável técnico: Dr. Timotio Dorn — CREMESC 22594 | RQE 13225
Referências
Elder DE, Bastian BC, Cree IA, Massi D, Scolyer RA. The 2018 World Health Organization Classification of Cutaneous, Mucosal, and Uveal Melanoma. Archives of Pathology & Laboratory Medicine. 2020.
Druskovich C, Kelley J, Aubrey J, Palladino L, Wright GP. A Review of Melanoma Subtypes: Genetic and Treatment Considerations. Journal of Surgical Oncology. 2025.
Columbia University Herbert Irving Comprehensive Cancer Center. Types of Melanoma.
Melanoma Research Alliance. Types of Melanoma.
Organização Mundial da Saúde. WHO Classification of Skin Tumours. 4ª edição.