Carcinoma basocelular em pele negra: como esse câncer de pele pode aparecer?
O carcinoma basocelular (CBC) é o câncer de pele mais comum, mas sua aparência pode variar bastante conforme a pigmentação da pele. Em pessoas com fototipos mais altos, o tumor pode apresentar coloração marrom, azulada, acinzentada ou bastante escura, fazendo com que algumas lesões se pareçam com pintas e outros tumores pigmentados. [1]
Por isso, reconhecer o câncer de pele em pessoas com pele negra ou mais pigmentada exige atenção às particularidades clínicas e ao exame com dermatoscopia.
Carcinoma basocelular pode ser uma lesão escura?
Sim.
Um estudo brasileiro publicado em 2026 avaliou 76 carcinomas basocelulares confirmados por exame anatomopatológico em 63 pacientes com fototipos IV e V de Fitzpatrick. A idade média dos participantes foi de 70 anos. [1]
Um dos achados mais importantes foi a grande frequência de pigmentação. Na avaliação dermatoscópica, 75 dos 76 carcinomas apresentavam algum grau de pigmentação. [1]
Além disso, 45% das lesões tinham mais de 70% de sua superfície pigmentada na dermatoscopia. [1]
Isso reforça uma informação importante: câncer de pele não precisa ser vermelho ou claro.
Um carcinoma basocelular pode ser muito pigmentado e, em algumas situações, apresentar aspecto quase preto.
Por que o câncer de pele pode ser mais difícil de reconhecer em peles mais escuras?
Grande parte das descrições clássicas do carcinoma basocelular foi estabelecida a partir de pacientes com pele clara.
Nesses casos, características como translucidez, aspecto perolado e pequenos vasos aparentes podem chamar a atenção.
Em peles mais pigmentadas, o excesso de pigmento pode esconder algumas dessas características. O estudo brasileiro mostrou que padrões vasculares clássicos, como vasos arboriformes e telangiectasias finas, foram menos evidentes em muitos desses tumores. [1]
Em algumas lesões, a pigmentação era tão intensa que dificultava a identificação de estruturas dermatoscópicas específicas. [1]
Um carcinoma basocelular pigmentado pode parecer melanoma?
Pode.
Uma lesão muito pigmentada pode entrar no diagnóstico diferencial de diferentes doenças.
O estudo mostrou que carcinomas basocelulares com pigmentação intensa podem apresentar aparência semelhante a melanoma, nevo azul e até algumas lesões vasculares. [1]
Isso significa que apenas olhar a cor da lesão não é suficiente para definir o diagnóstico.
Uma lesão escura pode ser benigna, pode ser melanoma e também pode representar outro tipo de câncer de pele, como o carcinoma basocelular.
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Qual é a importância da dermatoscopia?
A dermatoscopia permite visualizar estruturas que não são facilmente observadas a olho nu e pode fornecer pistas importantes para diferenciar lesões pigmentadas.
No estudo brasileiro, a estrutura dermatoscópica pigmentada mais frequente foi a chamada área em folha, identificada em 58% dos carcinomas basocelulares avaliados. [1]
Também foram encontradas estruturas como:
- glóbulos azul-acinzentados;
- ninhos ovais azul-acinzentados;
- pontos azul-acinzentados;
- estruturas em roda de carroça;
- ulcerações;
- pequenas erosões;
- vasos arboriformes.
Esses padrões não aparecem obrigatoriamente juntos. A interpretação depende do conjunto de características observado durante o exame.
Carcinoma basocelular superficial e nodular podem ter aparência diferente?
Sim.
Dos 76 tumores avaliados, 49% eram carcinomas basocelulares nodulares e 25% superficiais. Também foram encontrados tumores infiltrativos e lesões com padrões histológicos mistos. [1]
Os carcinomas basocelulares nodulares apresentaram com maior frequência ninhos ovais azul-acinzentados e vasos arboriformes.
Já os carcinomas basocelulares superficiais apresentaram mais frequentemente áreas em folha, pequenas erosões, estruturas em roda de carroça e áreas branco-avermelhadas sem estrutura definida. [1]
Isso mostra que a dermatoscopia pode contribuir não apenas para levantar a suspeita de carcinoma basocelular, mas também para reconhecer padrões associados aos diferentes subtipos.

Onde o carcinoma basocelular apareceu com mais frequência?
No estudo, 79% dos tumores estavam localizados na cabeça e no pescoço. [1]
Foram encontrados também carcinomas no tronco e nos membros.
A região da cabeça e do pescoço merece atenção especial porque concentra áreas frequentemente expostas à radiação solar ao longo da vida.
Pessoas com pele negra também precisam fazer avaliação para câncer de pele?
Sim.
Ter uma pele naturalmente mais pigmentada não significa estar completamente protegido contra câncer de pele.
Além disso, a aparência do tumor pode ser diferente daquela vista nas imagens mais conhecidas de câncer de pele em pessoas de pele clara.
O próprio estudo ressalta que pacientes de fototipos mais altos ainda estão pouco representados nas pesquisas sobre carcinoma basocelular, o que pode limitar alguns dos critérios diagnósticos tradicionalmente utilizados. [1]
Por isso, uma lesão persistente ou que esteja mudando merece avaliação independentemente da cor da pele.
Quais alterações devem chamar atenção?
Uma lesão merece avaliação dermatológica quando apresenta mudanças progressivas, como:
- crescimento;
- mudança de cor;
- sangramento;
- formação repetida de crostas;
- ulceração;
- ferida que não cicatriza;
- aumento de espessura;
- ou aparência diferente das demais lesões da pele.
Em pessoas com pele mais pigmentada, uma lesão escura nova ou que esteja se modificando também deve ser examinada.
Dermatoscopia confirma o diagnóstico?
A dermatoscopia ajuda muito na avaliação, mas nem sempre é suficiente para estabelecer definitivamente qual é a lesão.
Quando existe suspeita clínica de câncer de pele, o dermatologista pode indicar uma biópsia, permitindo que o tecido seja analisado ao microscópio.
No estudo brasileiro, todos os carcinomas basocelulares incluídos na análise tinham confirmação histopatológica. [1]
O que esse estudo muda na prática?
A principal mensagem é simples:
o carcinoma basocelular pode apresentar uma aparência diferente em peles mais escuras.
Nesses pacientes, a pigmentação pode ser predominante e esconder algumas características consideradas clássicas do tumor.
Isso reforça a importância de dermatologistas estarem familiarizados com diferentes apresentações do câncer de pele e de utilizarem a dermatoscopia como ferramenta complementar ao exame clínico.
Também reforça a necessidade de incluir diferentes tons de pele nos estudos dermatológicos, permitindo que os critérios diagnósticos sejam cada vez mais representativos da população real. [1]
Carcinoma basocelular pigmentado precisa ser avaliado por dermatologista
Nem toda lesão escura é melanoma e nem toda lesão clara é benigna.
O diagnóstico adequado depende da avaliação do conjunto de características da lesão.
Quando houver dúvida, o dermatologista pode associar exame clínico, dermatoscopia e biópsia para esclarecer o diagnóstico e definir a conduta mais adequada.
Identificar o câncer de pele ainda em suas fases iniciais permite que o tratamento seja planejado antes que a lesão aumente e comprometa uma área maior de pele.
Referência
Dr. Timotio Volnei Dorn
MÉDICO | Dermatologista
CREMESC 22594 | RQE 13225
Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui uma consulta médica individualizada. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos após avaliação adequada de cada paciente.